Nós, Os Criminosos do Brasil

A situação do país continua muito ruim economicamente falando. Além da destruição de R$3 trilhões de nossa economia desde 2014, estamos em um grande imbróglio político. Quem é responsável por isto? Com certeza não é 90% do povo brasileiro. Quem define a situação de um país é quem está em cima, trabalhadores com curso superior e renda acima de R$5K/mês. Nós definimos o destino do país. Quem está embaixo vive as consequências.

O povo brasileiro é muito bom, não tem preconceitos, mistura todas as etnias (índios, europeus, negros, asiáticos etc.) e vive em uma terra maravilhosa. Nós, os líderes, somos os criminosos que deixamos a situação chegar neste ponto. Uma vergonha em termos de concentração de renda, miséria, desemprego, violência, má infraestrutura de moradias, escolas, saúde e transporte. A China já demonstrou que não precisa ser assim.

Os anos militares (21 anos) se mostraram mais democráticos, melhoraram mais a vida da população, do que os 31 anos de governo civil que teve todos os presidentes envolvidos em corrupção (exceto talvez o Itamar) e deixaram o país desgovernado, sem planejamento. Nosso último ministro do planejamento foi Jucá, um corrupto gestor de planilha de distribuição de pixulecos. Uma vergonha. A morte de Tancredo deixou um hiato, o Brasil ficou acéfalo.

Entre os criminosos precisamos alocar devidamente a responsabilidade pelo mal causado ao país:

  1. Febraban: lobby para influenciar as leis (p.ex.: missão do BC e tripé macro)
  2. Copom/BC: atua alinhado com o setor financeiro rentista, irresponsabilidade fiduciária e social, missão de minimizar inflação a qualquer custo via juro alto
  3. Deseconomistas: não criticam medidas macro-econômicas destruidoras de riqueza, em desrespeito ao conhecimento desenvolvido por Smith, Keynes e Friedman; uma grande parte é filiada à seita do falso liberalismo (usam juro para distorcer o laissez-faire dos preços)
  4. Políticos: criam leis oportunistas, que também não seguem, e não estabelecem um formato lícito de ficarem ricos honestamente
  5. Grandes Empresários: fazem lobbies oportunistas e não influenciam adequadamente a agenda macro-econômica por ignorância
  6. Nós

Precisamos reescrever o nosso futuro. Isto significa retomar uma agenda de planejamento com priorização de crescimento para geração de riqueza, emprego e distribuição de renda através de gastos e investimentos na infra-estrutura social de educação, saúde, moradia e transporte.

Resolver o imbróglio político ainda não ataca o problema principal que é macro-econômico (câmbio, juro e déficit nominal). Desemprego e violência causados pela repressão da demanda agregada via juro contracionista de base monetária e moeda sobre-valorizada pela doença holandesa. O IBGE já reconheceu que a situação econômica continua muito ruim. O primeiro trimestre do ano teve uma pequena melhora com base no clima (agronegócio), não na gestão macro-econômica. Desemprego e violência continuam em ascensão e o foco só em corrupção não resolve esta prioridade nacional.

O próximo Presidente precisa ter esta agenda democrática. As pesquisas Datafolha demonstram que os candidatos mais promissores são Moro e Dória.

Precisamos primeiro reconhecer que somos responsáveis por este contexto, e então nos aprofundarmos na necessidade de mudança drástica da política macro-econômica para colocar nosso país nos trilhos. Vamos parar de apontar dedos e começar a olhar no espelho.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

Um comentário sobre “Nós, Os Criminosos do Brasil”

  1. Tá mais afiado que “katana” de samurai kamikaze !! =)
    Mas, não há dúvida de que a responsabilidade é sim conjunta, cabe na devida monta a cada um de nós; isoladamente. No fundo, orquestramos muito mal o coletivo, amargando frustração e angústias de foro íntimo, padecemos na carne de males inominaveis em decorreria de inépcia e desidia na atuação singular frente à sociedade como um todo.

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