Bolão do Copom: Corrupção?

Como resolver a dúvida se há corrupção no Copom?

A elevação dos juros de 7,25% em meados de 2013 para 14,25% em 2015 gerou perdas de R$1,7 trilhões a nossa economia em termos de queda de PIB e aumento de dívida. Este aumento de juros levou nosso déficit nominal de R$109B (2012) para R$614B (2015) através de queda de arrecadação e aumento de despesas com juros (R$500B em 2015). Esta variação de déficit tirou nosso crescimento de PIB de 3% em 2013 para -3,8% em 2015. Apesar desta depressão econômica em 2015 o lucro dos bancos aumentou 15%. Temos desemprego recorde, brasileiros morrendo no sistema de saúde por falta de recursos e aumento de homicídios, famílias se desfazendo etc.

9 profissionais no Copom definem orçamento de R$500B em juros por ano.

Falácia de que inflação atrapalha o crescimento econômico não é sustentada por dados. Não há correlação entre inflação abaixo de 40% ao ano e crescimento econômico em dados de várias economias de sucesso da Ásia no período 1960 – 2014 (Banco Mundial). A Coréia do Sul cresceu a taxas médias de 7% ao ano com inflação média de 19% em período de 20 anos (1960-1980).

A Lava Jato deixou evidência clara de corrupção em todas as instâncias do governo: Petrobras, Eletrobras, CARF, Congresso, Senado, Presidência, Ministros etc. Todas estas instâncias somadas não chegam às cifras do Copom (R$500 B/ano) nas mãos de 9 profissionais.

Com estes fatos acima vem a pergunta: há corrupção no Copom?

Quanto você apostaria no Sim ou no Não se 10% do valor do bolão for oferecido para qualquer brasileiro que dê evidências que ajudem a PGR a comprovar a verdade?

Produtividade e Inépcia

Algumas escolas e economistas enfatizam o problema de produtividade brasileiro. “O Brasil não cresce porque é improdutivo”. “Protegemos os incompetentes”. “Os poucos setores produtivos do Brasil são o agronegócio e o financeiro”.”A indústria é a nossa vergonha”. Inépcia destes agentes de nossa comunidade. Por que Inépcia?

Todo país subdesenvolvido é improdutivo por definição. Produtividade média é medida pelo PIB/capita em paridade de poder de compra (PPC). Sendo assim o problema de produtividade é tão óbvio quanto o fato do pobre ser pobre porque não tem dinheiro. Nosso PIB/capita PPC foi de US$15.690 em 2015 e o dos EUA de US$55.904. Estamos a 28% da produtividade dos EUA. Impossível competir de igual para igual em produtividade. Isto em todos os setores: agricultura, indústria, serviços, comércio, política, jurídico, educação, consultoria, energia etc. Por que brasileiros vão estudar nas melhores escolar americanas gastando 5 a 10 vezes o que gastariam para estudar nas melhores brasileiras? Por diferença de produtividade. O benefício que o ensino americano propicia ao brasileiro é 5 a 10 vezes superior ao que ele consegue aqui. A evidência está por exemplo nesta afirmação de que nosso problema é produtividade.

A verdadeira questão, o verdadeiro desafio, é como fazer um país crescer tendo em vista sua grande desvantagem de produtividade no ambiente internacional. O país cresce com a melhoria de sua produtividade média através de:

  • melhoria de processos nos empregos atuais
  • criação de mais empregos em setores de maior produtividade.

A melhoria de processos nos empregos atuais é lenta porque envolve aprendizado e pesquisa. O aumento de produtividade em novos empregos é rápido porque o trabalhador é inserido em contexto mais dinâmico. É o que acontece com trabalhadores rurais que vão para as cidades trabalhar em comércio, serviços ou construção. Ou que saem de construção e comércio para a indústria de transformação. Quanto mais qualificado o trabalho, maior a produtividade, maior a remuneração.

A melhoria de processos nos empregos atuais ocorre de maneira natural pelo interesse dos empresários em maximizar seus lucros. A maximização do lucro ocorre através da maximização de produtividade, ou seja, redução de custo unitário. Este mecanismo de mercado funciona independente de governo. É o instinto dos empresários, força do capitalismo. Vide gráfico Produtividade e Crescimento

Esta força dos empresários só é maximizada e transformada em crescimento econômico do país como um todo se as oportunidades de empreendimento lucrativo no país forem maximizadas, ou seja, se for viável produzir no país produtos e serviços de mais alto valor agregado. A viabilidade da produção destes serviços e produtos depende do custo internacional, que é influenciado pela produtividade e pela taxa de câmbio.  Neste contexto entra o governo. Se o governo definir nossa taxa de câmbio em patamar que torne os serviços e produtos brasileiros competitivos economicamente a nível internacional, os empresários irão investir e estabelecer estes negócios substituindo importações e maximizando exportações para todo o mundo.

Estes empresários podem ser brasileiros ou estrangeiros, empreendedores ou multinacionais. O importante é que empreguem mão-de-obra e paguem impostos no Brasil. Com o objetivo de maximizar a qualidade de vida dos brasileiros, quem deve eliminar empresário improdutivo tem que ser a competição nacional, não a de importados.

É extremamente importante entendermos esta visão de comunidade, ver o sistema econômico como um todo, colocando todos os cidadãos em uma sala (empresários, trabalhadores, políticos, pobres e funcionários públicos) e decidir políticas que sejam boas para todos brasileiros.

O que mais me decepciona nestes profissionais que colocam a culpa da falta de crescimento do Brasil nos empresários improdutivos é que, na prática, estão dizendo que os melhores brasileiros, que são aqueles capazes de se tornarem empresários, são incompetentes e improdutivos. Isto vindo de professores e economistas teóricos (que nunca geraram um emprego, nunca empreenderam) parece uma tremenda prova de inépcia. Se os melhores brasileiros são uns incompetentes, o Brasil não tem solução. Estes profissionais comprovadamente não tem o diagnóstico correto e uma boa solução para o Brasil.

Definição de empresário e empreendedor: profissional que investe capital próprio e de terceiros para criar e estabelecer um negócio lucrativo através de comercialização de produtos e serviços entregues através de mão-de-obra, equipamentos e fornecedores de insumos. A ação do empresário cria os empregos e tem o objetivo de maximizar lucro. Quanto maior a produtividade da operação do empresário maior o lucro dele. Sendo assim maximização de produtividade é a busca diária de todo e qualquer empresário. Reunir as habilidades necessárias para empreender com sucesso é extremamente difícil: conhecimento e capital. O capitalismo faz uma seleção natural destes indivíduos entre a população. Não há emprego sem os empresários. Mesmo o emprego público depende da arrecadação tributária que vem dos empresários. Neste contexto os empresários são economicamente falando os melhores brasileiros, os mais capazes para empreender correndo risco.

Nota: nosso agronegócio é competitivo devido a vantagens comparativas de clima e disponibilidade de recursos (terra). Nosso setor financeiro é competitivo só no mercado interno e através da taxa de juros bem acima da internacional. Nenhum destes setores são produtivos a níveis internacionais se comparados em termos de outputs físicos por hora trabalhada.

 

O aumento dos juros e a Depressão do Brasil

Analisando os dados da economia brasileira de 2011 até hoje, observamos que a razão de termos entrado nesta depressão foi o aumento de juros a partir de 2013. Tabela Juros e Depressão. Dilma vinha conduzindo a economia com um déficit nominal aceitável até meados de 2013. Quando a inflação começou a subir um pouco entregou sua estratégia de baixar os juros para o “mercado”, subiu os juros, conteve demanda perdendo arrecadação e aumentou suas despesas detonando um processo de aumento agressivo do déficit nominal insustentável que colocou o Brasil em depressão econômica.

O mais perigoso de tudo isto é uma linha de economistas do mercado financeiro que sustentam que para sairmos da depressão precisamos aumentar os juros e abaixar o câmbio. Irresponsáveis.

BC Joga Contra

A missão de um Banco Central é prover condições para a maximização do emprego, estabilidade de preços e juros moderados. Federal Reserve.

A missão declarada de nosso bc é estabilidade de preços a qualquer custo. Vamos expandir esta responsabilidade para incluir o ministério da fazenda e o ministério do planejamento.

Em 2015 queimaram pelo menos R$240B de PIB e conseguiram 10,7% de inflação.

Os resultados já justificam nossa afirmação. Vamos a análise lógica da questão.

Maximizar emprego significa maximizar PIB, maximizar a qualidade de vida dos brasileiros. A maximização do PIB depende da maximização de lucro das empresas e da maximização do superávit nominal do governo (antes dos investimentos). Na busca da minimização da inflação nosso bc justifica juros altos. Estes juros reduzem a demanda, abaixam os preços, aumentam o custo e diminuem significativamente o lucro das empresas. Do lado do governo aumentam os custos, reduzem a arrecadação tributária e geram déficit nominal.

Em resumo, nosso bc joga contra os nossos interesses.

Como podemos mudar isto? Será que se os agentes do bc tiverem um bônus milionário atrelado ao crescimento econômico do país mudaria a postura? Algo mais alto do que qualquer agente do mercado financeiro pudesse oferecer a seus membros para justificarem as altas taxas de juros.

E se seus funcionários fossem obrigados a morar na periferia, expostos à violência e aos serviços públicos como saúde para sentir os efeitos de suas condutas na economia do país?