Desafio aos empresários: câmbio a R$8,30 + IGP-DI

Assumi o Ministério do Planejamento e tomei a decisão de colocar o câmbio a R$8,30, sendo o mesmo corrigido pelo IGP-DI mensalmente durante os próximos 4 anos. Tenho alguns problemas: como projetar a taxa de crescimento da economia, a taxa de emprego e as receitas de meu orçamento tributário neste período?

A economia é feita pelos empresários, então envio uma pesquisa para uma amostragem razoável de empresários brasileiros de todos os setores representados proporcionalmente no PIB:

“Com câmbio a R$8,30+IGP-DI você será beneficiado pela substituição de importações e aumento de exportações a partir de 01 de janeiro de 2016, favor enviar dados aproximados para os próximos 4 anos de:

  • Faturamento
  • Emprego
  • Impostos arrecadados

Em dois dias espero receber seus dados. Obg”

De posse destas informações preciso fazer o orçamento do governo para garantir superávit fiscal e investimentos em infra-estrutura social (educação, saúde, moradia e transporte).

10% da arrecadação adicional real (corrigida pela inflação considerando as mesmas taxas de 2015) será destinado a um bônus público para ser distribuído ao presidente, ministros, deputados, senadores e outros cargos relevantes do governo, e 1% a um fundo partidário. Bônus meritocrático atrelado a contribuição de cada agente.

Apostando 50% de seu patrimônio no valor de suas projeções, qual será a taxa de crescimento econômico real do Brasil neste período? -2%, zero, +2%, +4% ou +8%? Ganha quem chegar mais perto.

Deixaria seu emprego para trabalhar na equipe do Ministério do Planejamento com salário atual simbólico + o bônus acima (político e aposta)?

Como distribuiria o superávit adicional entre as prioridades da infra-estrutura social?

Publicado por

Eduardo Giuliani

Empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. e investidor pela Advent International. Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U. S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT. Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP. MBA pela Harvard Business School. Tenente da Reserva do Exército. Casado. Três filhos. Tri-atleta.

10 thoughts on “Desafio aos empresários: câmbio a R$8,30 + IGP-DI”

  1. Auditoria cidadã! O grilhão da divida publica tem que ser quebrado. Nunca um pais soberano poderia aceitar algo assim.
    Mas não adianta toda esta teoria. Os países ricos em recursos naturais que não aceitaram mais o dólar para vender e entregar suas riquezas, foram invadidos e agora saqueados descaradamente (Iraque) tendo seu petróleo ” esquentado” pela Turquia com o aval dos EUA e UE. Tudo bandido!
    Porque temos que aceitar dividas em dólar ( moeda que já esta com 18 trilhões na rua, lastreada pela coação ) feitas por governos que estão a serviço do capital especulativo. Lula para assumir teve que nomear um ex tucano para o BC. Dilma coloca no BC alto funcionário do Bradesco.
    As dinastias donas do capital internacional geraram duas grandes guerras no mundo. Exterminaram milhões de vidas e vão continuar assim. A única esperança a longo prazo e a China e Russia ( com a compra de milhares de toneladas de ouro para lastrear o Yuan) conseguirem quebrar a hegemonia do dólar e conseguir definitivamente amenizar a influencia destes parasitas nas economias emergentes.

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    1. Não nos vejo como vítimas de um complô internacional. Cada país busca seus próprios interesses. Devemos ser maduros para buscar os nossos. Entramos sozinhos no buraco econômico atual e precisamos aprender como sair dele com nossas próprias pernas. A observação da estratégia asiática é o melhor caminho na minha opinião.

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      1. Nao se trata de um complô, e sim resultado de uma lógica econômica. Nao existe nenhum complô que faça com que a grande maioria das mulheres acabe arcando com todo o trabalho doméstico de suas casas, mas todas as circunstâncias sociais acabam levando a isto. Obviamente na pratica, o sistema financeiro esta somente jogando o seu jogo, mas ja comprovadamente este jogo é oportuna e sistematicamente burlado de acordo com seus interesses. E para isto instalam crises, corrompem, elegem , tudo dentro da ” normalidade” democrática. E quando nao conseguem o que querem, denunciam os próprios corrompidos para uma nova rodada possa se dar no jogo. E cristalino, basta observar os ciclos economicos. A maneira como elegeram e depuseram o Collor. A forma como derrubaram o governo da Ucrânia. Os investimentos feitos para derrubar os governos Venezuelanos. Todo povo tem direito a sua autodeterminação. Em países pobres em riquezas naturais, nao lhes interessa derrubar ditadores. E isto nao é so no Brasil vários países já estão atentando para este fato. Seguir ou apontar soluções sem quebrar esta logica, é somente secar gelo. Abraço!

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      2. Armínio Fraga respondeu à CPI da Dívida Pública: “Olha, me desculpem, mas o Brasil foi desenhado para isso”(Fonte: Maria Lúcia Fatorelli), quer dizer, o Brasil foi desenhado para o endividamento, para o atraso, para servir de curral e reserva do mundo.

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      3. Todo aquele que controla o volume de dinheiro de qualquer país é o senhor absoluto de toda a indústria e comércio, e quando percebemos que a totalidade do sistema é facilmente controlada, de uma forma ou de outra, por um punhado de gente poderosa no topo, não precisaremos que nos expliquem como se originam os períodos de inflação e depressão.”
        James Garfield
        presidente americano, 1881

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      4. “Deixe-me emitir e controlar o dinheiro de uma nação e não me importarei com quem redige as leis.”
        Mayer Amschel (Bauer) Rothschild
        Família Rothschild, que agenciou (aliciou e corrompeu) e comprou a maior parte da Vale ( ESTA NO SITE DELES É SO PROCURAR), também maior compradora do anunciado pelo então presidente LULA ” maior negociação da historia da Petrobras” , onde compraram 70, dos 72 bilhões negociados.

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  2. Oi! Me assusta esta onda de estado mínimo! Parto do principio que se nao tivéssemos que entregar quase 50% do que arrecadamos para a agiotagem internacional, teríamos muito mais recursos e possibilidade. Mas…. Como foi dito pelo ex ministro do George Soros hic… Governo FHC, ” o Brasil foi planejado para isto”. Logo ( e ja esta acontecendo) os donos de quase metade da nossa arrecadação, aumentarão ainda mais as garras do estado/ policia/ justiça, visto que ao sonegar ou corromper, estaremos diretamente ” roubando ” deles.

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    1. Nosso problema não é externo. A dívida externa já não é tão representativa. Nosso problema de despesas com juros é interno. O BC mantém nível elevado de juros no conceito de que está retendo a inflação. Esta abordagem econômica é o nosso câncer. Ao fazer isto prejudica as empresas, diminui a arrecadação, eleva as despesas do governo, e aumenta o déficit nominal afundando a economia. Concentra renda e prejudica o emprego. Este combate irracional à inflação está afundando nossa economia. Não há nenhuma correlação entre inflação e crescimento econômico. Muito pior do que inflação é a falta de emprego. O Fed dos EUA foca em maximização de emprego. Nosso BC foca em minimização da inflação a qualquer custo. Esta abordagem incorreta concentra renda e prejudica nossa capacidade de fazer os investimentos sociais que você está falando. A Dilma tentou reverter os juros, mas por outro lado com o câmbio sobrevalorizado prejudicou a indústria, diminuiu a arrecadação e explodiu o déficit nominal que afundou a economia. Esta falta de coordenação econômica infelizmente matou a estratégia dela. Nossos políticos não são perfeitos, mas são os que temos. Precisamos achar um caminho positivo para andar para frente com os recursos que temos disponíveis. Nosso maior problema hoje é a estratégia econômica.

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  3. Boa tarde! Desculpe, mas apesar de toda sua boa intenção, a maior parte dos “empresários ” brasileiros nao são isto tudo que vc imagina. Assim que o dolar for a R$8,00, automaticamente eles elevarão seus preços , principalmente aço, plastico, papelão e toda a industria química.
    Pela minha idade acompanho desde 1986 os planos de estabilização econômica e todos foram “sabotados” pelo empresariado “nacional”.
    O único período onde pudemos ter estabilidade e crescimento real, foi durante o governo Lula, única e exclusivamente porque com a competição chinesa, eles nao tiveram esta oportunidade.
    Sinto que ao contrario da logica que tu expôs, voltaríamos novamente aos anos dos governos que se denominavam (vergonhosamente) liberais, com a economia funcionando apenas para 30% dos brasileiros. Abço.

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    1. Alex, agradeço seu comentário. Todos os agentes da economia procuram maximizar seus próprios interesses. Empresário, político e trabalhador. Todos têm suas qualidades e defeitos. Recomendo o texto Nature of Man do Michael Jensen se tiver curiosidade. O grande desafio é reconhecermos que precisamos uns dos outros e fazermos um planejamento inclusivo que seja bom para todos. Concordo com você que somos um país que não pensa nos mais pobres, temos uma das piores concentrações de renda do mundo. Acho que o PT nos ensinou a olhar para a nossa miséria. Mérito deles. A Dilma criou o objetivo de erradicar a miséria do Brasil. Tenho orgulho que por uma primeira vez um presidente pois isto na agenda. Contudo a maneira como ela executou foi irresponsável. Sem os empresários que geram emprego e pagam impostos, não há como ter riqueza para melhorar nossa infra-estrutura social. A China percebeu isto quando planejou a volta para o capitalismo. Precisamos fortalecer os empresários que geram emprego no Brasil, para termos arrecadação tributária a ser dirigida à população como um todo. Quem erra ao direcionar a arrecadação tributária é o governo, não os empresários. E o que tem que segurar os preços é a competição interna, não de importados que geram emprego fora. É muito importante que vejamos o sistema econômico como um todo para maximizar a vida dos brasileiros, não dos chineses ou americanos. Na média todos os nossos setores estão a menos de 1/4 da produtividade americana. Se não houver compensação para nossa falta de produtividade, não há como gerar empregos melhores no Brasil. O que conta no desenvolvimento econômico é o custo, não há produtividade. A produtividade todos os empresários buscam melhorar todos os dias para maximizar seus lucros, contudo não dá para melhorar 300% em um ano. Precisa ser 10% ao ano. Espero ter esclarecido. Esta discussão é importante. Abs.

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