Da Lei de Gérson para a Lei de Moro

O Brasil está se transformando. Nossa produtividade média está a 28% do nível dos EUA e isto é claramente o caso no sistema jurídico. Vivemos hoje a realidade de produtividade dos EUA de aproximadamente 80-100 anos atrás. Neste contexto a atual equipe do governo gerou perdas acumuladas de R$1,5 trilhões desde 2014, que estão aumentando R$100 bilhões por mês. Para um país de renda média como o nosso, um tremendo desperdício de recursos. País da Lei de Gérson, impunidade. Os criminosos continuam batalhando pelo poder.

Sérgio Moro e sua equipe aparecem como heróis nacionais. Colocam na prisão os principais políticos e empresários do país. Estamos falando aqui de presidente da república, ministros, presidente da Câmara de Deputados e do Senado, inúmeros deputados e senadores, empresários dos maiores grupos nacionais (Camargo, Andrade, Odebrecht etc.) Petrobras, CARF etc. Mostram para a população que a Lei de Gérson acabou. A justiça começou a trabalhar e vai até o fundo em todos os casos de corrupção. Simplesmente incrível. Transformando uma das principais vergonhas nacionais em um possível amadurecimento de nossas instituições. Sem baderna. Até hoje nenhum assassinato como já ocorreu em décadas passadas.

No país da Lei de Moro precisamos trabalhar em todas as dimensões para fazer nosso país crescer e melhorar o padrão de vida da comunidade. A diminuição da corrupção através de controle mais efetivo pelo sistema jurídico ajudou por um lado, contudo desorganizou todo o sistema de incentivo político e exige uma reorganização mais eficiente.

Não há toda esta corrupção porque somos pessoas ruins. A corrupção existe porque as pessoas procuram melhorar de vida da maneira mais fácil possível. Se não há controle efetivo pela justiça, elas se corrompem. Para diminuir este custo do agente para a sociedade, precisamos criar um incentivo que faça com que a maioria dos políticos ajudem o Brasil a crescer, ao invés do contrário. Hoje está claro que a maioria dos políticos se corromperam. É a Lei da Terra. Consenso nacional. Qual seria o comportamento destas mesmas pessoas se houvesse um bônus público bilionário na mesa? Por exemplo, 10% do superávit nominal distribuído entre presidente, ministros, políticos e principais burocratas do governo.

Em 2015 gastamos R$500 bilhões com juros liderados por uma equipe de poucos brasileiros no COPOM em ano de depressão econômica (-4% de PIB) e os bancos viram seus lucros subirem 15%. O espírito da Lava Jato vai chegar no COPOM como chegou no CARF, contudo como seria o comportamento destes indivíduos se o bônus deles fosse em cima do crescimento do Brasil, e não no crescimento dos bancos?

Não há correlação entre crescimento econômico e inflação abaixo de 40% ao ano, afirmação de economista da Coréia do Sul (Ha-Joon Chang), país que cresceu a taxas de 7% ao ano e teve inflação média de 19% ao ano nos primeiros 20 anos de crescimento (1960-1980). Os brasileiros do COPOM e profissionais do sistema financeiro usam a enganação da inflação para torrar nosso orçamento há 20 anos.

Para o País da Lei de Moro evoluir precisamos maximizar o sistema econômico. Este sistema econômico depende da maximização do lucro dos empresários e do superávit nominal. O lucro dos empresários vem através de câmbio de R$8,30. Os juros a 5% ajudam ainda os empresários e reduz as despesas do governo. O bônus público gera incentivos adicionais para os políticos trabalharem responsavelmente com o orçamento para atingirmos o superávit nominal. Não atingiremos nosso potencial de melhoria de vida de 10% ao ano sem atuar nestas três medidas. A diminuição da corrupção e impunidade é um primeiro passo, mas sozinha não resolve a economia.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. e investidor pela Advent International. Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U. S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT. Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP. MBA pela Harvard Business School. Tenente da Reserva do Exército. Casado. Três filhos. Tri-atleta.

2 thoughts on “Da Lei de Gérson para a Lei de Moro”

  1. Bom dia Juliano!
    Vejo pelo seu discurso que vc e extremamente bem intencionado, e gosto muito dos seu textos e intenções. Coincidem muito com as minhas.
    Porem, a seletiva lava a Jato, nao consegue prender o Cunha, nao aprofunda em nenhuma investigação que tenha o pessoal do PSDB envolvido. Me desculpe, mas é ingenuidade tua achar que ela vai chegar perto do COPOM.
    Ali e que esta TODO o interesse e grilhão econômico que depena o pais!
    NINGUÉM mexe ali.
    ” Me deixem controlar e emitir a moeda de um pais, e não me importo com quem faz suas leis” . Ja ouviu falar disto?
    Abço!

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    1. Você precisa ser mais positivo. O copo está meio cheio, não meio vazio. Nossa evolução na Justiça está muito forte. Mensalão com o Barbosão. Agora pegaram Petrobras, Eletrobras. Prenderam empreiteiros, políticos. Estão avançando em cima de vários empresários e presidente da república. PT já virou vinagre. Já estão atrás do PMDB, PSDB. Não tem partido. Com certeza a força maior está no partido no poder federal, que fica mais exposto. Contudo está avançando no PSDB em SP e em Minas. Acho que não há escapatória, vai pegar todo mundo a seu tempo e na medida certa. É muito trabalho com uma legislação complexa que protege os criminosos. Estamos avançando muito.

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