Competitividade Econômica do Brasil

Nosso câmbio atual coloca o Brasil na posição de 50% do nível de competitividade dos EUA. Se considerarmos só a indústria de transformação neste cálculo chegamos a 53%. Malásia está a 159%, Taiwan a 155%, Indonésia a 119%. Estamos pouco competitivos para criarmos um crescimento robusto para nossa industrialização. Vide tabela Análise de Competitividade que inclui países representando US$90 trilhões de PIB e 5,0 bilhões de pessoas.

Método da Competitividade Econômica. Consideramos como produtividade média o PIB per capita em PPC (Paridade de Poder de Compra) dado pelo IMF. Consideramos como desvalorização da moeda a divisão do PIB per capita a taxas de mercado pelo PIB per capita em PPC. Para um país ter competitividade econômica igual a dos EUA é necessário que a desvalorização seja igual ao nível de produtividade, de maneira que a baixa produtividade seja compensada pela desvalorização, e os produtos deste país tenham preço competitivo no mercado internacional. Fazemos esta análise para a economia toda, e também especificamente para a indústria de transformação, gargalo do desenvolvimento brasileiro para nossa fase de industrialização que foi interrompida e regredida nas últimas décadas.

Este método nos mostra que para estarmos competitivos como os EUA precisamos de um câmbio por volta de R$8, o dobro do que tínhamos no final de 2015 quando o IMF fez os cálculos do PIB per capita em PPC.

Este índice de competitividade econômica apresenta boa correlação com as taxas de crescimento dos países selecionados. Três casos precisam ser vistos com mais cuidado ao aparecerem não tão bem classificados, e terem tido altíssimas taxas de crescimento nas últimas décadas: Índia, Filipinas e China. A Índia e as Filipinas possuem desvalorização acentuada (27 e 40% do nível dos EUA). A princípio não o suficiente para compensar o baixo nível de produtividade (US$6000 – US$7000 per capita). Contudo pelo processo de catch-up é mais fácil crescer em taxas menores de PIB do que nas taxas altas próximas da fronteira tecnológica. No caso da China há a mesma explicação. Em 1998 a China também tinha uma desvalorização de 28% e, na fase de produtividade muito mais baixa, cresceu bastante. Na última década a China valorizou sua moeda para o nível de 58%, próxima do atual brasileiro, contudo já é um pais industrializado com 21% da mão-de-obra na indústria de transformação (162 milhões de trabalhadores) gerando 29% do PIB e em desaceleração da taxa de crescimento. Economia totalmente integrada no mercado global com controle e restrições sobre acesso a seu mercado interno. Ficar com nível de desvalorização igual ao atual da China não é o suficiente para crescermos como precisamos, temos que baixar pelo menos para o 28% igual ao nível de nossa produtividade (R$8,30).

Publicado por

Eduardo Giuliani

Empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. e investidor pela Advent International. Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U. S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT. Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP. MBA pela Harvard Business School. Tenente da Reserva do Exército. Casado. Três filhos. Tri-atleta.

4 thoughts on “Competitividade Econômica do Brasil”

    1. A competitividade econômica permite que os empresários nacionais tenham produtos a preços compatíveis com a concorrência internacional, aumentando desta forma a demanda agregada pelo trabalho brasileiro. Crescimento econômico, que representa aumento de geração de riqueza, vem através do aumento das vendas dos empresários nacionais.

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