Crescimento com Inflação

Não há correlação entre inflação abaixo de 40% ao ano e crescimento, ou seja, a inflação não é um impeditivo a altas taxas de crescimento. A tabela Crescimento e Inflação apresenta dados de 1960 a 2014 de Coréia do Sul, Malásia, Tailândia, China, Chile, Indonésia, Filipinas, Colômbia, Índia, Japão, Brasil e Cingapura. Os dados permitem chegar a algumas conclusões:

  • Vários países apresentam taxas de crescimento de 5 a 15% ao ano convivendo com inflação de até 40% ao ano (Coréia do Sul, Chile, China, Malásia, Indonésia e Brasil)
  • Países com planejamento estruturado, em estágios mais desenvolvidos, tendem a trazer a inflação abaixo de 5% ao ano.
  • Alguns países apresentam recessão em ano de alta inflação (Japão)

A relação entre crescimento e inflação é particularmente importante para o Brasil que tem um trauma da inflação de três dígitos do passado. E, usando desta alavanca política do Plano Real, fizeram o país acreditar que inflação era ruim para o crescimento. Inflação não é bom, mas não é uma prioridade. No conceito de que bom é inimigo do ótimo, primeiro fazemos o país crescer com inflação, e depois, crescendo, eliminamos gradualmente a inflação. Foi assim que a maioria fez. A capacidade de planejamento que reduz a inflação vem com o tempo.

Aproveitando-se deste trauma brasileiro, os rentistas criaram a regra de usar juros para combater a inflação. Nesta estratégia do Banco Central brasileiro, nosso país perdeu R$1,5 trilhões entre PIB e endividamento de 2014 até hoje. Acrescentando R$100 bilhões por mês. Eles gastaram R$500 bilhões em juros no ano de 2015 para afundar ainda mais nossa economia, eliminar milhões de empregos e piorar a concentração de renda que já é vergonha nacional histórica.

Inflação deve ser combatida com aumento de oferta (o que requer planejamento do governo), ao invés de através de redução de demanda. Demanda é o que sempre queremos ter para estimular o crescimento. Aumentar demanda significa criar novos mercados para o trabalho brasileiro. Mais lucro para os empresários. Mais emprego e arrecadação tributária. Mais recursos para investir na infra-estrutura social. Quando aumentamos os juros significa menos empregos, menos lucro para os empresários, mais lucro para os bancos e rentistas sem fazer muito esforço. Explica os 15% de aumento do lucro dos bancos quando o país afundou 3,8% no PIB.

Continuando com o conceito de fortalecer nossas instituições, precisamos chamar o Moro para aplicar a Lava Jato no Copom. Com 8-9 membros têm muito mais poder de estrago no país (R$500 bilhões por ano) do que a Petrobras, Eletrobras e o CARF juntos. Merece uma investigação detalhada e profunda, que exigirá muito menos esforços do que as iniciativas em andamento.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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