Brasil: do Interesse Próprio para o Interesse Coletivo

Considero importante nos debates sobre macro-economia separarmos a melhor solução técnica (segundo o conhecimento já desenvolvido pela Humanidade) da questão política, ou seja, do ambiente institucional necessário para implementá-la.

Em um dos eventos da EESP tive a oportunidade de ouvir Oscar Vieira, professor da FGV-Direito, comparar a Constituição dos EUA com a do Brasil. Nos EUA, com visão coletiva, foi formado um documento composto pela 2a melhor opção de todo mundo. No Brasil, com visão de interesses próprios, fizemos uma acomodação da 1a melhor opção dos que estavam presentes.

Como foi mencionado na Natureza da Vida Humana, o interesse próprio é uma importante característica do homo sapiens que nos originou. Contudo foram os Iluminados, com a capacidade de colocar o coletivo acima do individual, que nos fizeram avançar como Humanidade.

No Brasil temos alguns grupos que defendem seus interesses a qualquer custo. Entre eles o Sistema Financeiro Rentista (SFR/Febraban), os grupos religiosos, a agropecuária, os funcionários públicos, os industriais, os comerciantes e os empreiteiros.

O SFR nos colocou nesta depressão para garantir sua lucratividade, inclusive na crise. Juros contracionistas apesar do ambiente recessivo através de atuação no Copom, BC do Mercado, e na legislação com meta de inflação, tripé macro-econômico e outras determinações ineptas para o coletivo.

Os grupos religiosos não pagam tributos apesar de liderarem um dos negócios mais lucrativos do planeta. Não provêem transparência de seus ganhos. E assumem que os recursos dos tributos não são tão bem alocados pelo governo socialmente como o são por eles. Sem transparência. E ainda querem financiamento pelo BNDES para os templos…

A agropecuária e os minerais não pagam tributos na exportação de seus produtos de baixo valor agregado e de empregos sub-qualificados, valorizando assim a taxa cambial com o efeito de doença holandesa que prejudica as exportações industriais de maior valor agregado. E ainda reclamam da infra-estrutura para o escoamento da produção, apesar de não contribuírem com a arrecadação dos recursos e os investimentos.

Os funcionários públicos ficam com remuneração e pensão em muitos casos acima do setor privado. Os políticos fazem leis que garantam a preservação da impunidade.

Os industrias individualmente buscam reduzir seus custos com câmbio valorizado e redução de tributos. Não enxergam o efeito na demanda agregada e a competição das importações nos vários outros elos da cadeia produtiva.

Em resumo não há um senso de Planejamento com eficiência de Pareto que garanta a maximização da riqueza coletiva.

Apesar da solução de nosso problema de geração de riqueza (e emprego) ser simples – pois basta corrigir o tripé de câmbio, juro e poupança fiscal – não conseguimos caminhar nesta direção porque não é de interesse de alguns destes grupos.

É importante entendermos a composição do campo de batalha para visualizarmos uma solução e enfrentarmos este imbróglio.

Com certeza a depressão econômica é ruim para todos os grupos de interesse, contudo este é o resultado que estamos obtendo ao ter cada grupo defendendo seu principal interesse sem respeitar o interesse coletivo.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Empresário nos setores de bioenergia, agronegócio, venture capital, e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. e investidor pela Advent International. Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U. S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT. Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP. MBA pela Harvard Business School. Tenente da Reserva do Exército. Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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