O Panteão da Pátria e O “Milagre” Brasileiro

O Panteão da Pátria deve disponibilizar seu espaço para Honrar os Brasileiros que mais contribuíram para o crescimento econômico e a inclusão social do país. Nosso Ranking dos Presidentes identifica os melhores Brasileiros de nossa Evolução. Os dois principais, autores do Milagre Brasileiro, não são nem mencionados no Panteão em Brasília. Temos obrigação de trazer Verdade para esta História.

Artur da Costa e Silva. Provavelmente o Brasileiro mais importante do século passado, é hoje visto pelas mentes menos informadas como um ditador violento e burro, como pode ser observado no podcast da Folha do Presidente da Semana.

Artur, gaúcho, filho de portugueses, seguiu carreira militar completa desde o colégio, sempre entre os melhores alunos até virar marechal. Um dos expoentes do Tenentismo, desde 1922 sempre esteve envolvido nas principais iniciativas para garantir a melhor liderança para o país (1922, 1924, 1925-26, 1930, 1945, 1954, 1964). Livrou o Brasil das oligarquias da República Velha, e garantiu presidentes de alto nível no período 1931-1984. Presidentes que garantiram taxas de crescimento de 5,6% ao ano, versus os 4,1% que a República Velha atingia.

Coragem, Meritocracia e Cidadania eram valores sempre presentes.

Na Revolução de 1964 Costa e Silva era o Comandante do Exército e permitiu que Castello Branco fosse o primeiro presidente militar na ocasião da Revolução. Castello, liberal, organizou o governo: reduziu inflação de 80% para 40%, teve desempenho econômico médio com crescimento de 3-4% ao ano e persistência do alto desemprego. Em 1966 Costa e Silva foi alvo de atentado no Aeroporto de Guararapes em Recife. Assume presidência em 1967, leva o crescimento para o patamar de 9-10% ao ano através de forte ação do estado, cria 55 estatais (incluindo Mobral), reduz inflação para 19%, posiciona o AI-5 para por a casa em ordem, mas leva sua saúde ao extremo do estresse e tem um derrame cerebral.

Emílio Garrastazu Médici, outro gaúcho, seu amigo, assume o governo, elimina a esquerda armada, cria mais 99 estatais, leva crescimento a 12% ao ano, diminui a inflação para 16%, cristaliza o Patriotismo nos cidadãos (“Este É Um País Que Vai Pra Frente, Povo Unido de Grande Valor”; “Eu Te Amo Meu Brasil, Eu Te Amo”; “Todos Juntos Vamos, Pra Frente Brasil, Salve a Seleção”);  e consolida o Milagre Brasileiro (1968-73) com taxas de crescimento compatíveis com os Tigres Asiáticos (Singapura, Coréia do Sul, Taiwan e Hong Kong).

O podcast da Folha também caracteriza Médici como violento e burro, apesar do sobrenome de uma das famílias italianas mais brilhantes do Renascimento.

Enquanto Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek, outros dois excelentes presidentes, tinham grandes Egos, os militares estavam claramente preocupados com os empregos para os brasileiros, sem qualquer tipo de apologia a suas pessoas. Observem os discursos deles no podcast da Folha, inclusive a transparência da decisão a respeito do AI-5 em 1968.

Deve ser levado em consideração que a iniciativa de Costa e Silva e Médici de criar inúmeras estatais foi baseado no fato destas infra-estruturas não existirem no país, e o setor privado sozinho não ter dado conta de cria-las. Foi um Estado Empreendedor, seguindo os preceitos de Keynes de maximização de demanda agregada. Faz todo o sentido do mundo privatizar estatais maduras para gerar recursos e investir em novas estatais em novos setores onde a iniciativa privada não está atuando como poderia. Por exemplo, no transporte ferroviário, incluindo trens de alta velocidade. No caso brasileiro, até hoje, recursos de privatização têm sido usados para pagar endividamento com juros altos e reduzir competição com empresas privadas.

Após a fase do Milagre Brasileiro, entramos no processo de Democratização gerenciado por Geisel (1974-78), que cresceu a média de 6,4% ao ano com inflação subindo para 40%, e Figueiredo (1979-84) que teve crescimento pífio de 2,3% ao ano e deixou o Brasil na hiperinflação. Este processo de democratização reincorporou todas as ilicitudes que o início da Revolução havia restringido, liberou a irresponsabilidade fiscal e a impressão de papel moeda para cobrir os déficit públicos. Delfim Netto é o grande agente do Milagre Brasileiro e da Irresponsabilidade Fiscal quando não tínhamos mais líderes da qualidade de Costa e Silva e Médici.

O aumento da dívida externa e a hiperfinflação não tem nada a ver com o Milagre Brasileiro, e sim com a irresponsabilidade dos agentes que se infiltraram no processo de democratização. Dívida lastreada em ativos que fortalecem a economia do país são muito saudáveis economicamente. Dívida não é saudável quando o país a usa para cobrir déficits fiscais irresponsáveis, situação criada no Brasil a partir de 1979/80.

Historiadores e Jornalistas não conseguem entender as responsabilidades e os desafios a frente dos grandes líderes. Líderes que colocam suas vidas a risco para defender os interesses da comunidade.

Hoje convivemos com uma Dinastia da Bozolândia, totalmente incompatível com o que nossos grandes líderes construíram. Somos muito melhores do que o que está sendo apresentado. Nosso espírito tenentista precisa sair do armário e voltar a impor o ritmo de Ordem, Progresso e Cidadania (Inclusão Social) de nossa Egrégora.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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