Ordem, Progresso e Inclusão

130 anos de República. Em 1889 Hermes da Fonseca influenciou seu tio Deodoro a proclamar a república, com base no positivismo que lhe foi ensinado por Benjamin Constant na Escola da Praia Vermelha. Ordem e Progresso. PIB do Brasil que vinha crescendo a 2,4% ao ano em um Império lento, parlamentarista e pouco meritocrático, que demorou para abolir a escravidão, entra em um novo ritmo de 4,1% de crescimento ao ano.

Hermes mais maduro virou Ministro da Guerra, melhorou o profissionalismo do Exército e virou Presidente em 1910, apoiado por Nilo Peçanha. Combate o regime oligárquico da política dos governadores e do café com leite, instala a Escola Militar do Realengo, forma uma nova geração de oficiais e cria uma iniciativa que transformaria o Brasil: Tenentismo. Taxa de crescimento pula para 5,6% ao ano até 1984. Nenhum presidente incompetente e liberal comandou o país neste período. Brasil sempre cresceu a taxas mais rápidas do que a média do mundo, até 1984.

Brasil no PIB Mundial

Em 1985 os militares abandonaram o Brasil, deixando uma hiperinflação causada pela irresponsabilidade fiscal do processo de redemocratização nas mãos do Delfim Netto. Brasil se perdeu. Nós, brasileiros com mais de 30 anos de idade, e renda mensal acima de R$5K, estimo em menos de 10% da população, somos responsáveis por esta vergonha. Somos a pior geração de brasileiros desde a Proclamação da República. Herdamos de nossos pais um país maravilhoso, que vinha evoluindo consistentemente, e conseguimos bagunçar completamente nossas instituições.

Sem a participação dos militares, construímos uma constituição de adolescentes, cheias de direitos e sem responsabilidades. Somos hoje um dos países mais corruptos do mundo, no qual conhecemos quem são estes corruptos, mas não conseguimos prende-los eficientemente ou mante-los atrás das grades. Não há Ordem e Progresso.

Jair Bolsonaro, o Bozo, cometeu um grande estelionato eleitoral vendendo a imagem de Brasil Acima de Tudo, com o apoio das Forças Armadas, e hoje está liderando um governo de direita liberal de desempenho pífio como vinha sendo a Democracia Imperial (1985-2018), sem nenhuma responsabilidade social, envolvendo família imatura, milícia, religião, fakeNews, enfraquecendo a mídia profissional (Globo e Folha) para fortalecer a mídia religiosa (Record), discriminando e desrespeitando 30% da população que é petista, desrespeitando o meio-ambiente internacional, apoiando líderes irresponsáveis (Trump), prejudicando a agenda anti-crime através de acordos com ilícitos do Congresso e do STF (p.ex. COAF, prisão em 2a Instância, Polícia Federal).

Está indo além de qualquer expectativa na criação de um partido de Idade Média com “valores” como religião, milícia e combate ao demônio (Lula/PT). É uma verdadeira Dinastia da Bozolândia, totalmente inconsistente com os valores da República. Foi um Herói ajudando a derrubar a máquina governamental ilícita, mas já cumpriu seu papel e precisamos andar para frente.

Temos 4 oligarquias prejudicando o país: Financeira, Agronegócio, Sacerdócio e Servidores. As três primeiras estão claramente envolvidas com este governo. Sem reorganizar os interesses destas 3 oligarquias ficará impossível voltarmos à evolução.

A oligarquia financeira forçou a subida do juro a partir de 2013 e detonou completamente com o governo Dilma e o PT. Para leigos procuram jogar a culpa da depressão na Nova Matriz da Dilma e nas ilicitudes do PT. Para quem tem um pouco de discernimento, ficou claro que o PIB só melhorou com o Temer quando abaixou o juro de 14,25 para 6,75%. E só melhorou um pouquinho com o Bozo quando abaixou de 6,75% para 5%. A queda do juro aumenta a demanda agregada e dá impacto direto no PIB. Contudo o nível honesto, de taxa neutra, para maximizar demanda e geração de emprego é por volta de 1%, e estamos muito longe disto. Toda a projeção do governo está em manter o crescimento no patamar de 1-3%, sem real enfrentamento com a oligarquia financeira. Este caminho vai manter alto nível de desemprego e queda na renda dos brasileiros.

A oligarquia do agronegócio impôs a Lei Kandir que isentou de tributos as exportações de commodities agrícolas e minerais. Esta iniciativa quebrou as finanças dos estados dependentes destes produtos e prejudicou a industrialização do país através da valorização cambial causada pelo efeito “doença holandesa”. Indústria que é a maior arrecadadora de tributos e que gera o maior volume de empregos de alto valor agregado.

O caminho da Evolução não é pela esquerda nem pela direita. É pelo centro (GV, JK, Costa e Silva, Médici) que através do capitalismo da direita gera recursos para fazer a inclusão social requerida pela esquerda. A direita liberal de Collor a FHC detonou com os empregos nacionais. A Esquerda de Lula/Dilma detonou com as contas públicas. Em ambos os contextos a oligarquia financeira dominou. Lucro dos bancos cresceu 26X de 1997 a 2018 enquanto Brasil cresceu a míseros 2,3%. Hoje com a Dinastia da Bozolândia-Guedes estamos aplicando o pior da Direita (menosprezo por empregos brasileiros) com o pior da esquerda (enfrentamento autoritário nas instituições de mídia e sociais).

Bozo-Guedes, com apoio da oligarquia financeira e da mídia da Seita dos Falsos Liberais Rentistas, estão jogando toda a culpa da depressão em cima do PT. Isto é uma grande mentira tendo em vista que a verdadeira causa foi a elevação do juro pela oligarquia financeira: Depressão BR. A situação socialmente insustentável atrelada a esta grande divisão do país entre bolsomínions e petistas, pode nos levar a uma Guerra Civil Burra.

Desemprego desumano, crescimento pífio, divisão social, impunidade com ilícitos soltos, péssima distribuição de renda, ampliação da miséria, contenção dos programas sociais. Todos elementos explosivos para uma alta instabilidade na República. Um país decente não vai cair do céu sem forte determinação e sem o Espírito Tenentista que vinha nos auxiliando. As Forças Armadas precisam parar de ser Covardes e devem retomar seu papel de garantir Ordem e Progresso como Inscrito em nossa Bandeira, contudo coordenar de maneira que a próxima Revolução seja Democrática e Fortemente Inclusiva.

 

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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