O Tripé do Vôo de Dragão

O objetivo de um país é melhorar a qualidade de vida de seus cidadãos. Esta melhoria ocorre através da maximização de emprego e do poder de compra dos cidadãos (não da moeda). Este processo é sustentado pelo tripé câmbio, juros e déficit nominal, variáveis primárias que definem o crescimento econômico. A inflação representa o vento que gera turbulência, uma variável secundária, que existe para equilibrar oferta e demanda, não deve fazer parte do tripé.

Nosso tripé está desequilibrado. O câmbio para termos competitividade econômica internacional precisaria estar em R$8,6 e os juros em 5% para conseguirmos déficit nominal de 2%. Câmbio flutuante não permite este nível de competitividade porque temos o efeito da doença holandesa de nossas commodities agrícolas e minerais. E não queremos câmbio de equilíbrio, queremos câmbio de desequilíbrio para impulsionar nosso crescimento. Os juros vinham caminhando bem para 5% em 2012/2103 quando atingimos déficit nominal de R$109B, menos de 2% do PIB. A elevação para 14,25% afundou o déficit nominal para R$613B (10% do PIB).

Ficar tentando controlar a inflação, a turbulência, sem estar com o tripé firme, não permite que a galinha se transforme em dragão ou águia e voe. A inflação precisa ser deixada a mercado, pois o aumento dos preços, para equilibrar oferta e demanda, gera o lucro necessário para empresários investirem no aumento da oferta criando empregos novos. Combatê-la com juros é jogar herbicida para matar as sementes do processo de crescimento. E, na economia indexada que temos, ter o objetivo de levar a inflação a 4,5% só vai ser possível com elevação adicional de desemprego e poder de compra.

Não há correlação entre inflação e crescimento econômico conforme demonstramos no post Crescimento com inflação

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

3 comentários em “O Tripé do Vôo de Dragão”

    1. Martim, agradeço o comentário e envio do link. Este ALR parece que realmente busca a Verdade em seus trabalhos. Pode ser o Economista Iluminado de que precisamos colocando nossa história e trajetória econômica em perspectiva. Não tem o materialismo dos demais colegas dele do setor financeiro rentista. O Valor nos ajudou trazendo ele para o debate, que na verdade nunca existiu. Estes comentários fazem parte do meu carma…Abs

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