Poder de compra do trabalhador e respeito à inflação

Na vida é importante o foco em resultado. No caso de um país – economicamente falando – precisamos maximizar o poder de compra dos trabalhadores. Resultado. Este poder de compra vem através de empregos cada vez melhores, com mais valor agregado, e maior produtividade no trabalho. Sem aumento de produtividade não há aumento de poder de compra, visto que poder de compra em si é uma medida de produtividade, ou seja, o quanto cada trabalhador pode comprar.

Inflação está relacionada a poder de compra da moeda. Variável econômica de segunda ordem, que não pode ser usada para desviar a atenção do objetivo de primeira ordem: poder de compra dos trabalhadores.

Inflação é uma variável do mercado, que mede o quanto os preços estão subindo. Esta variável tem um papel importante da mão invisível para equilibrar oferta e demanda e garantir os incentivos corretos para os agentes. Nesta dimensão não pode ser distorcida, precisa funcionar. Se há falta de um produto o preço precisa subir para restringir o consumo a quem mais precisa destes produtos e incentivar com lucro adicional aos produtores para que aumentem a oferta e voltem a atender os segmentos que não foram atendidos ao preço mais alto.

Este mecanismo de inflação precisa ser respeitado e não pode ser distorcido via juros. O aumento de demanda representa o início do ciclo de crescimento, que fortalece o poder de compra dos cidadãos. Elevar juros para inibir esta demanda é uma grande distorção das forças econômicas.

Há uma segunda dimensão da inflação que é monetarista, ou seja, está relacionada ao equilíbrio entre papel moeda e produtos da economia. Quando o governo consome mais do que arrecada em tributos e, para isto, imprime papel moeda para cobrir o déficit, há um aumento de papel moeda sem lastro em produtos, que faz com que apareça uma inflação de ajuste de papel moeda. Esta inflação é péssima para a economia, foi criada irresponsavelmente, artificialmente, e costuma transformar-se na hiperinflação que tivemos na década de 80.

Os mecanismos para evitar o aumento de inflação estão em não ter déficit fiscal não financiável por dívida (déficit com lastro) e criar estímulos econômicos para aumento de oferta equilibrada com as demandas futuras. No Brasil cometemos a irracionalidade de combater inflação usando juros que aumentam ainda mais o déficit nominal. O efeito disto é a forte queda do poder de compra dos trabalhadores.

De maneira geral uma economia bem organizada tenderá a ter uma inflação baixa, tornando planejamento mais fácil. Contudo precisa ficar claro que combate a inflação a qualquer custo não faz sentido econômico dentro do conceito de aumentar o poder de compra dos trabalhadores.

Uma evidência empírica relevante é que o poder de compra dos brasileiros subiu mais nos quatro anos de hiperinflação (1986 a 1990) do que em todo o período de inflação baixa que veio após o Plano Real, em termos médios anuais. Outra evidência internacional interessante foi a Coréia do Sul que cresceu a taxas de 7% ao ano convivendo com inflação média anual de 19% de 1960 a 1980.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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