Custo do Agente: Corrupção e Crescimento Econômico

Nosso principal problema no momento é uma política macro-econômica gerando desemprego e destruição de riqueza. 22,5 milhões de brasileiros desempregados ou em sub-emprego, e os demais empregados ganhando apenas R$1.800/mês. Situação econômica lastimável que precisamos melhorar.

Corrupção aparece como maior empecilho no debate mas esta premissa não é verdadeira. Nosso nível de corrupção é compatível com nosso estágio de desenvolvimento, conforme evidenciado pelo gráfico CPI e PIB/capita com dados da Transparência Internacional de 2015. Entidade esta que acaba de conceder um excelente prêmio à Operação Lava Jato.

Corrupção é uma característica humana ligada ao nosso interesse próprio. Bom para o indivíduo, ruim para a comunidade. A medida que as comunidades vão se organizando as instituições vão controlando e evitando os abusos.

Há um aspecto econômico muito importante ligado à corrupção. Incentivos. É uma ‘graxa’ que mantém a máquina política funcionando. Sem esta ‘graxa’ a eficácia da máquina fica prejudicada e podemos entrar em uma situação de operação tartaruga por parte dos políticos e gestores públicos. No momento o país se encontra em um grande imbróglio. Estamos combatendo corrupção a todo custo, sem termos uma alternativa melhor e desconsiderando o impacto econômico negativo em nossas vidas. Precisamos trazer ciência econômica para este debate.

A corrupção existe porque os agentes públicos não estão sendo remunerados de maneira correta, e porque a Justiça era muito fraca. Não existia até a Lava Jato. Lidamos aqui com uma situação de Custo do Agente, da mesma forma que o setor privado. Custo do agente é o custo de ter alguém representando nossos interesses. Este custo é composto de 1) potencial estrago a ser feito pelo agente em seu interesse próprio, 2) custo de controlar este agente e 3) custo de dar um incentivo para alinhar os interesses deste agente. A soma de 1+2+3 dá o custo total do agente que devemos procurar minimizar.

Sem 2 e 3 o estrago vai provavelmente representar a perda de seu patrimônio (p.ex. usucapião). Se adicionar o 2), por exemplo um sistema de policiamento e justiça atuante, há punição concreta para o mau comportamento, então o agente tomará mais cuidado para não ser punido. A grande revolução neste conceito é a criação do 3, um alinhamento de incentivo que faz com que o agente se comporte de maneira a maximizar os interesses do proprietário (p.ex. participação nos lucros). É aqui que precisamos corrigir nosso sistema público e político.

A remuneração oficial atual dos políticos e gestores públicos é muito baixa considerando o nível de responsabilidades e impacto em nossas vidas. E não visa eficiência. Se usarmos uma escala Hay para ajustar estas remunerações e introduzirmos o elemento variável (bônus por resultados) provavelmente vamos minimizar a corrupção e melhorar em muito o desempenho. Cingapura é um país de extremo sucesso econômico (US$85K/cap) atingido nos últimos 50 anos onde a arrecadação do governo é de apenas 19% do PIB, o IDH já está em 0,91 e os funcionários do públicos chegam a ganhar mais do que a iniciativa privada.

De 2014 até hoje a política macro-econômica gerou R$2,5 trilhões de prejuízos para o Brasil. Item 1 do custo do agente. Não deveríamos criar um bônus de dezenas de bilhões de reais para reverter este tipo de prática? Um Presidente da República não merece ficar bilionário ao fazer o país crescer mais de 5% ao ano distribuindo renda e melhorando infra-estrutura social. E os Ministros não deveriam ganhar dezenas de milhões de reais, como empresários ganhariam através do lucro de suas empresas? O mesmo não se aplica para senadores, deputados e outro funcionários públicos com poder decisivo que impactam na poupança fiscal e capacidade de investimento e crescimento da economia?

Quanto ganham os 9 membros do Copom responsáveis por estes R$2,5 trilhões de prejuízo ao terem elevado a taxa de juros de 7,25% para 14,25%? Qual teria sido o comportamento deles se ganhassem 0,1% da poupança fiscal do governo ao invés de 0,1% do lucro dos bancos?

Nosso custo do agente está elevadíssimo e temos 70% da Câmara (Corrupcao – Ranking por Partido) e pelo menos 16 membros no Senado claramente envolvidos em corrupção. A votação pela distorção e aceleração das 10 medidas anti-corrupção do MPF deixou eles todos em evidência. O Moro ainda tem bastante trabalho pela frente.

 

Publicado por

Eduardo Giuliani

Edu é empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. (1991-97) e investidor pela Advent International (1998-99). Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U.S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT (1994). Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute (1997). Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP (1989). MBA pela Harvard Business School (1995). Tenente da Reserva do Exército (1985). Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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