A História da Inflação no Brasil

Vamos cobrir aqui sobre o conceito de inflação, como ela evoluiu durante a nossa História (1900 até hoje) e o desafio nas mãos de Bolsonaro.

Inflação é a medida do aumento de preços. Há uma variação natural nos preços decorrentes de efeitos do mercado, ou seja, se faltar um produto o preço sobe, se houver em excesso o preço cai. O laissez-faire enfatiza a importância de deixar o mercado definir os preços, para garantir eficiência econômica através das ações corretivas dos agentes (empresários e consumidores). O governo deve monitorar esta situação para evitar que empresários formem cartéis que visam aumentar os preços em detrimento dos interesses dos consumidores. Este contexto gera uma inflação natural que varia entre -2 a 3%. Um dígito.

Um fator ainda mais relevante que gera inflação, e geralmente maléfico, é quando o governo gasta mais do que arrecada e imprime papel moeda para cobrir o déficit orçamentário. Este mecanismo é extremamente nocivo à saúde econômica do país, e é bastante comum com governos irresponsáveis ou ilícitos que “mordem” um pedaço do orçamento através de seus pixulecos. Este comportamento entra em espiral e transforma-se em hiperinflação exigindo algum tipo de plano econômico para conte-la.

O Brasil até 1930 (país agrícola no fim dos ciclos da borracha e do café) era muito influenciado pelo mercado internacional, e teve períodos de inflação mais alta (até 30%), e de deflações (até – 18% nas depressões e/ou guerras), mas com a média abaixo de 10%. Nossos Presidentes foram em sua maioria responsáveis nas questões fiscais.

Getúlio assume em 1930 e com Dutra manteve a mesma austeridade com inflação média de 10% e atingindo picos de 21%. (BR-Evolução-Inflação)

JK entra para detonar com este patamar entregando governo com 40% de inflação como consequência de seus projetos ambiciosos de investimento. Os investimentos em infra-estrutura não seriam inflacionários seguindo muito bem o conceito de Keynes, mas a criação de Brasília em tão pouco tempo consumiu recursos que o governo não tinha e também não gera retorno em tributação futura de economia fortalecida.

Jânio ganha as eleições para cortar os gastos e colocar o país nos trilhos contudo foi inocente ao confiar em um Congresso de ilícitos para lhe passar amplos poderes (1960). Apresentou uma carta de renúncia que foi prontamente aceita, tirou seu poder que foi para o primeiro ministro Tancredo Neves e depois João Goulart. Estes dois bagunçaram de vez as contas do país levando a inflação para 90%. Jânio imaginou que os Congressistas iriam pensar primeiramente no país, e não só em seus próprios interesses de continuar mordendo o orçamento.

[Historicamente nosso congresso ou líderes políticos em grupo só nos decepcionam: 1922, 1960 e 1988 são alguns exemplos. Em 1922 Epitácio queria impedir a posse de Bernardes que era odiado por todo o país. Os militares (tenentes) ainda não eram fortes o suficiente e tivemos que engolir este déspota. Em 1988 criaram a Constituição da Impunidade e da Irresponsabilidade Fiscal que nos enfiou neste período de Democracia Imperial e corrupção extrema. Nossos presidentes sempre foram muito melhores do que o Congresso, tanto que rejeitamos parlamentarismo em 1962 e em 1993].

Castello Branco virou presidente e organizou a casa trazendo a inflação para 40%. O pulso firme de Costa e Silva, e de Médici fizeram o “Milagre Brasileiro”, levando crescimento para 11% ao ano e reduzindo inflação para 16%. Os considerados “carrascos” foram nossos dois melhores líderes em desempenho econômico (crescimento, inflação e emprego), sendo que Costa e Silva deu a vida pelo país morrendo de derrame no meio da baderna da esquerda armada.

Geisel assume comprometido com a manutenção de crescimento e emprego, mas absorve o primeiro choque do petróleo (barril de USD13 para USD50) que impacta a maioria dos preços da economia. Inflação retoma patamar de 40%. Como estratégia de contingenciamento cria o pró-álcool e o programa nuclear.

A situação sai fora de controle mesmo é com o Figueiredo. Ele coloca o ilícito do Delfim Netto no Planejamento e deixa o orçamento frouxo com a perspectiva da transição política para a democracia. O Congresso ilícito bagunça o orçamento público e a inflação bate 224%. Figueiredo não tinha o perfil de pulso firme dos anteriores e estava determinado a fazer a abertura política que aumentou em muito a estrutura do estado.

Este comportamento de irresponsabilidade fiscal continua com Sarney e Collor, fazendo planos de congelamento culpando os empresários, quando na verdade a causa estava no gasto público. Só quando Itamar veio com pulso firme, de um político republicano honesto, houve o controle efetivo dos gastos públicos através do Plano Real. O príncipe ilícito da reeleição ficou com os méritos do plano, mas foi com certeza o pulso firme de Itamar que determinou o sucesso da eliminação da hiper-inflação da irresponsabilidade fiscal.

O Brasil não corria mais o risco de hiper-inflação desde Itamar contudo o príncipe é tão ilícito que continuou usando o argumento do medo da inflação para entregar nossa economia para a oligarquia financeira, que manipula a taxa de juro no Copom desde 1994 (argumentando o uso do juro falsamente para controlar a inflação, em desrespeito ao laissez-faire de Smith e política expansionista de base monetária de Friedman). Já causaram R$22 trilhões de prejuízo ao país, ao impor um crescimento de 2,5% ao ano, quando no mínimo deveríamos ter tido 4,1% de nossa média histórica republicana pre-1930 (sem o acompanhamento militar).

Bolsonaro representa um retorno da alma tenentista para o comando do país, contudo está começando com o pé esquerdo ao colocar o falso liberal SuperInepto Guedes no comando da Economia. Está entregando a chave do galinheiro para uma raposa. A esperança fica na meritocracia militar quando perceberem que os resultados em geração de emprego não estarão acontecendo a partir de janeiro. E aí precisamos voltar para a Teoria Geral do Emprego (Keynes) dos governos brasileiros até 1978.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. e investidor pela Advent International. Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U. S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT. Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP. MBA pela Harvard Business School. Tenente da Reserva do Exército. Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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