Empresários no Brasil, Vamos à Guerra!

Nós somos os únicos responsáveis pela lama em que o país se encontra. Covardia e ignorância macroeconômica permitiu que esta situação se instalasse. Contudo não somos covardes e temos condições de aprender o que é necessário para vencer nossos obstáculos diários.

Há 3 agentes econômicos relevantes para o país: empresários, políticos e militares. Os empresários (4 milhões de brasileiros) geram riqueza, empregam a população e pagam os tributos. Os políticos definem a demanda agregada (juro e câmbio) e alocam os recursos para garantir inclusão social (democracia). Os militares vigiam empresários e políticos para evitar formação de oligarquias que não beneficiam o país, garantem a cidadania. Nem políticos, nem militares têm competência para entender como funciona a Economia. Os empresários têm obrigação.

A Ciência Econômica teve dois Iluminados relevantes: Smith e Keynes. Smith definiu a Economia (capitalismo) e Keynes a Macroeconomia (demanda agregada e emprego). O objetivo é maximizar geração de riqueza (PIB) com inclusão social. Singapura e China são as duas grandes evidências dos últimos 50 anos de como é possível crescer consistentemente a taxas altas fazendo inclusão social. A única desculpa para não atingir estes resultados é inépcia macroeconômica e má fé de quem define estas políticas.

De 1997 a 2018 o lucro dos três maiores bancos brasileiros multiplicou-se por 26X, de R$2,1B para R$55B (Brasil Macro 1996-2018), 17% de taxa de crescimento anual nominal e 10% real, enquanto o Brasil cresceu 2,3%, desempenho nacional pior do que no Brasil Império. Este período foi definido por missão de banco central de minimizar inflação (ao invés de maximizar emprego como o FED) e tripé macroeconômico inepto e ilícito (meta de inflação, câmbio flutuante e superávit primário). Todos instrumentos para institucionalmente garantir a lucratividade das instituições financeiras.

Esta agenda está sendo toda garantida por agentes dos bancos (Itaú, Bradesco e agora Santander) dentro das instituições financeiras públicas nacionais (BACEN, Copom). Governança pífia na definição da taxa de juro e de políticas públicas que deveriam priorizar a geração de emprego nacional. (A Seita: Um Sistema Financeiro Contra o Brasil).

O prejuízo acumulado para o Brasil está em R$25 trilhões de perda de PIB de 1994 a 2018 (Estimativa de Perda de PIB). A atuação deste grupo ficou mais evidente a partir do segundo semestre de 2013 quando forçaram a retomada do aumento do juro após as manifestações de junho que derrubaram a popularidade da Dilma de 63% para 31%. Em 2013 a economia estava normal, em seu típico ano de vôo de galinha, com 3% de crescimento, déficit nominal de 3% e dívida em 51% do PIB. Ao elevarem o juro para 14,25% caiu arrecadação fiscal, aumentou as despesas financeiras e o déficit nominal afundou para 10% e o PIB para -4%. Desemprego saiu de 4,8% em 2014 para 12,7% em 2017 (Brasil Macro 1996-2018). Tentam jogar a culpa da depressão na Nova Matriz da Dilma, dizendo que a redução do juro em 2012/2013 causou a depressão em 2015/2016. Muita má fé macroeconômica.

O Guedes está implementando um plano de negócios para o setor financeiro, para garantir a continuidade desta alta lucratividade:

  • diminuindo a previdência pública para aumentar as oportunidades para a previdência privada,
  • tirando os bancos públicos da competição com os privados,
  • implementando 67 outras medidas para a evolução do mercado de capitais,
  • eliminou os Ministérios da Indústria, do Trabalho e do Planejamento,
  • manteve o juro alto em detrimento do corte de orçamento para educação, saúde, moradia etc.,
  • não respeitou a Regra de Ouro já no início do governo (rombo de R$250B),
  • está menosprezando completamente o desemprego de 13% colocando a culpa nos trabalhadores brasileiros improdutivos e não preparados para indústria 4.0.

É tanta falta de respeito para os empresários nacionais que precisamos entrar nesta Guerra e acabar com esta farra da Oligarquia Financeira em nosso país. Isto não vai acontecer se não agirmos. Não há mais espaço para covardia e papel de avestruz. Perspectiva para os próximos 4 anos é crescimento de -0,5 a 2% com desemprego de 13-15%.

Precisamos urgentemente aumentar a demanda agregada nacional (Keynes). Juro taxa neutra para expansionismo de base monetária e pleno emprego é de 2%, não 6,5%. Taxa de câmbio de competitividade econômica internacional é de R$9. Commodities minerais e agrícolas precisam ser fortemente tributadas para evitar a doença holandesa e fortalecer a arrecadação tributária que garante investimentos em infraestrutura de transporte e social. Vamos vencer a ignorância macroeconômica e estudar estes temas em profundidade. Sem ideologias, com ciência, dados e lógica.

Analise qual seria o impacto de taxa Selic de 2% e câmbio de R$9 nos seus negócios. Quais seriam a taxa de crescimento do PIB, a geração de emprego e a poupança fiscal com estas variáveis?

Crescimento de 10% ao ano e redução de desemprego já!

Precisamos urgentemente evoluir a governança do Planejamento Macroeconômico Nacional para focar em maximização do crescimento com inclusão social: EMPREGO.

Não espere o que nosso país pode fazer por você, pergunte-se o que Você tem que fazer pelo nosso país.

Publicado por

Eduardo Giuliani

Empresário nos setores de agronegócio, bioenergia, venture capital e imobiliário. Trabalhou como consultor pela McKinsey & Co. e investidor pela Advent International. Iniciou estudos sobre crescimento econômico em 1994 com o Curso National Economic Strategies de Bruce R. Scott na Harvard Business School (Membro do U. S. Competitiveness Policy Council). Cursou System Dynamics no MIT. Liderou trabalho de produtividade em Telecomunicações e Construção no McKinsey Global Institute. Engenheiro de Produção pela Escola Politécnica da USP. MBA pela Harvard Business School. Tenente da Reserva do Exército. Casado. Três filhos. Tri-atleta.

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