O aumento dos juros e a Depressão do Brasil

Analisando os dados da economia brasileira de 2011 até hoje, observamos que a razão de termos entrado nesta depressão foi o aumento de juros a partir de 2013. Tabela Juros e Depressão. Dilma vinha conduzindo a economia com um déficit nominal aceitável até meados de 2013. Quando a inflação começou a subir um pouco entregou sua estratégia de baixar os juros para o “mercado”, subiu os juros, conteve demanda perdendo arrecadação e aumentou suas despesas detonando um processo de aumento agressivo do déficit nominal insustentável que colocou o Brasil em depressão econômica.

O mais perigoso de tudo isto é uma linha de economistas do mercado financeiro que sustentam que para sairmos da depressão precisamos aumentar os juros e abaixar o câmbio. Irresponsáveis.

Crescimento com Inflação

Não há correlação entre inflação abaixo de 40% ao ano e crescimento, ou seja, a inflação não é um impeditivo a altas taxas de crescimento. A tabela Crescimento e Inflação apresenta dados de 1960 a 2014 de Coréia do Sul, Malásia, Tailândia, China, Chile, Indonésia, Filipinas, Colômbia, Índia, Japão, Brasil e Cingapura. Os dados permitem chegar a algumas conclusões:

  • Vários países apresentam taxas de crescimento de 5 a 15% ao ano convivendo com inflação de até 40% ao ano (Coréia do Sul, Chile, China, Malásia, Indonésia e Brasil)
  • Países com planejamento estruturado, em estágios mais desenvolvidos, tendem a trazer a inflação abaixo de 5% ao ano.
  • Alguns países apresentam recessão em ano de alta inflação (Japão)

A relação entre crescimento e inflação é particularmente importante para o Brasil que tem um trauma da inflação de três dígitos do passado. E, usando desta alavanca política do Plano Real, fizeram o país acreditar que inflação era ruim para o crescimento. Inflação não é bom, mas não é uma prioridade. No conceito de que bom é inimigo do ótimo, primeiro fazemos o país crescer com inflação, e depois, crescendo, eliminamos gradualmente a inflação. Foi assim que a maioria fez. A capacidade de planejamento que reduz a inflação vem com o tempo.

Aproveitando-se deste trauma brasileiro, os rentistas criaram a regra de usar juros para combater a inflação. Nesta estratégia do Banco Central brasileiro, nosso país perdeu R$1,5 trilhões entre PIB e endividamento de 2014 até hoje. Acrescentando R$100 bilhões por mês. Eles gastaram R$500 bilhões em juros no ano de 2015 para afundar ainda mais nossa economia, eliminar milhões de empregos e piorar a concentração de renda que já é vergonha nacional histórica.

Inflação deve ser combatida com aumento de oferta (o que requer planejamento do governo), ao invés de através de redução de demanda. Demanda é o que sempre queremos ter para estimular o crescimento. Aumentar demanda significa criar novos mercados para o trabalho brasileiro. Mais lucro para os empresários. Mais emprego e arrecadação tributária. Mais recursos para investir na infra-estrutura social. Quando aumentamos os juros significa menos empregos, menos lucro para os empresários, mais lucro para os bancos e rentistas sem fazer muito esforço. Explica os 15% de aumento do lucro dos bancos quando o país afundou 3,8% no PIB.

Continuando com o conceito de fortalecer nossas instituições, precisamos chamar o Moro para aplicar a Lava Jato no Copom. Com 8-9 membros têm muito mais poder de estrago no país (R$500 bilhões por ano) do que a Petrobras, Eletrobras e o CARF juntos. Merece uma investigação detalhada e profunda, que exigirá muito menos esforços do que as iniciativas em andamento.

Competitividade Econômica do Brasil

Nosso câmbio atual coloca o Brasil na posição de 50% do nível de competitividade dos EUA. Se considerarmos só a indústria de transformação neste cálculo chegamos a 53%. Malásia está a 159%, Taiwan a 155%, Indonésia a 119%. Estamos pouco competitivos para criarmos um crescimento robusto para nossa industrialização. Vide tabela Análise de Competitividade que inclui países representando US$90 trilhões de PIB e 5,0 bilhões de pessoas.

Método da Competitividade Econômica. Consideramos como produtividade média o PIB per capita em PPC (Paridade de Poder de Compra) dado pelo IMF. Consideramos como desvalorização da moeda a divisão do PIB per capita a taxas de mercado pelo PIB per capita em PPC. Para um país ter competitividade econômica igual a dos EUA é necessário que a desvalorização seja igual ao nível de produtividade, de maneira que a baixa produtividade seja compensada pela desvalorização, e os produtos deste país tenham preço competitivo no mercado internacional. Fazemos esta análise para a economia toda, e também especificamente para a indústria de transformação, gargalo do desenvolvimento brasileiro para nossa fase de industrialização que foi interrompida e regredida nas últimas décadas.

Este método nos mostra que para estarmos competitivos como os EUA precisamos de um câmbio por volta de R$8, o dobro do que tínhamos no final de 2015 quando o IMF fez os cálculos do PIB per capita em PPC.

Este índice de competitividade econômica apresenta boa correlação com as taxas de crescimento dos países selecionados. Três casos precisam ser vistos com mais cuidado ao aparecerem não tão bem classificados, e terem tido altíssimas taxas de crescimento nas últimas décadas: Índia, Filipinas e China. A Índia e as Filipinas possuem desvalorização acentuada (27 e 40% do nível dos EUA). A princípio não o suficiente para compensar o baixo nível de produtividade (US$6000 – US$7000 per capita). Contudo pelo processo de catch-up é mais fácil crescer em taxas menores de PIB do que nas taxas altas próximas da fronteira tecnológica. No caso da China há a mesma explicação. Em 1998 a China também tinha uma desvalorização de 28% e, na fase de produtividade muito mais baixa, cresceu bastante. Na última década a China valorizou sua moeda para o nível de 58%, próxima do atual brasileiro, contudo já é um pais industrializado com 21% da mão-de-obra na indústria de transformação (162 milhões de trabalhadores) gerando 29% do PIB e em desaceleração da taxa de crescimento. Economia totalmente integrada no mercado global com controle e restrições sobre acesso a seu mercado interno. Ficar com nível de desvalorização igual ao atual da China não é o suficiente para crescermos como precisamos, temos que baixar pelo menos para o 28% igual ao nível de nossa produtividade (R$8,30).

O Cálculo de R$8,30 (jan 2016)

Usar o câmbio para colocar o país em nível de competitividade econômica significa defini-lo em patamar que compense nossa baixa produtividade. Podemos definir a produtividade média do Brasil como sendo o PIB per capita em paridade de poder de compra em 2015 (IMF) US$15.690 comparado com o dos EUA de US$55.904. Estamos a 28% da produtividade dos EUA. Nosso PIB per capita na taxa de câmbio de 2015 foi de US$8.802, o que demonstra que estamos a um nível de desvalorização de 56% (8.802/15.690) quando deveríamos estar a 28% para compensar plenamente a baixa produtividade. Se considerarmos que o IMF usou o câmbio do final do ano de R$4, precisaríamos estar a R$8 para que nosso nível de desvalorização chegasse a 28%, e assim o PIB per capita em câmbio corrente seria de US$4.401. Esta é a lógica do cálculo do nível cambial para compensar a baixa produtividade.

Esta lógica pode ficar mais sofisticada se, ao invés de olharmos só para os EUA, fizermos uma comparação com várias outras economias que concorrem com a nossa. Ou também se concentrássemos esta análise com as produtividades específicas dos setores ‘tradables’.

Este patamar está próximo do valor de R$8,30 (janeiro 2016) que é a atualização das taxas médias do câmbio paralelo efetivo na década de 1980-90 (Taxa Efetiva). No período de 1985 a 1989 o Brasil cresceu 4,5% ao ano com inflação de dois a três dígitos e um câmbio oficial não tão desvalorizado quanto o paralelo. Como o Brasil ainda crescia e não estava em processo de desindustrialização, podemos imaginar que o ponto ideal teria sido a taxa do câmbio paralelo. Adicionalmente este patamar correspondia com a desvalorização da China na época.

Tabela de Competitividade Econômica Internacional (CEI).

 

Aumento do Crédito: mais um gol contra.

O governo federal no intuito de animar a economia resolveu aumentar o crédito em R$83B. Outro gol contra, da mesma forma que usa os juros para combater a inflação.

Aumentar o crédito para empresas em dificuldade ou consumidores sem renda não faz sentido econômico. Não se deve emprestar dinheiro para quem não pode pagar. Afunda mais a economia. É como um empresa que dá prejuízo continuar funcionando. Cada ano fica pior. Foi o que o governo fez com o setor sucroalcooleiro. Prejudicou o negócio emprestando dinheiro mas abaixando as margens (retirou CIDE, conteve preço da gasolina, manteve câmbio sobrevalorizado). Ajudou a inviabilizar o setor.

Os empresários precisam de mais negócios lucrativos. Dinheiro está sobrando, só que preferem deixar no banco ganhando juros sem fazer esforço. O próprio Bradesco falou que não tem gente querendo pegar empréstimos. Há poucos projetos lucrativos a ponto de reanimar a economia. Aumentar a capacidade de consumo com o crédito, sem ter renda para pagá-lo de volta, é entrar em um buraco negro. E o governo está facilitando a entrada.

Não adianta ficar brincando de crédito e juros altos. São medidas que prejudicam ainda mais o doente, apesar de parecer em alguns casos que alivia a dor momentânea. O foco precisa ser em aumentar perspectiva de lucro e eliminar o déficit nominal. Câmbio desvalorizado, juros minimizados, redução de despesas e inflação de mercado é o único caminho sustentável que temos. Maximização de emprego a qualquer custo.

 

BC Joga Contra

A missão de um Banco Central é prover condições para a maximização do emprego, estabilidade de preços e juros moderados. Federal Reserve.

A missão declarada de nosso bc é estabilidade de preços a qualquer custo. Vamos expandir esta responsabilidade para incluir o ministério da fazenda e o ministério do planejamento.

Em 2015 queimaram pelo menos R$240B de PIB e conseguiram 10,7% de inflação.

Os resultados já justificam nossa afirmação. Vamos a análise lógica da questão.

Maximizar emprego significa maximizar PIB, maximizar a qualidade de vida dos brasileiros. A maximização do PIB depende da maximização de lucro das empresas e da maximização do superávit nominal do governo (antes dos investimentos). Na busca da minimização da inflação nosso bc justifica juros altos. Estes juros reduzem a demanda, abaixam os preços, aumentam o custo e diminuem significativamente o lucro das empresas. Do lado do governo aumentam os custos, reduzem a arrecadação tributária e geram déficit nominal.

Em resumo, nosso bc joga contra os nossos interesses.

Como podemos mudar isto? Será que se os agentes do bc tiverem um bônus milionário atrelado ao crescimento econômico do país mudaria a postura? Algo mais alto do que qualquer agente do mercado financeiro pudesse oferecer a seus membros para justificarem as altas taxas de juros.

E se seus funcionários fossem obrigados a morar na periferia, expostos à violência e aos serviços públicos como saúde para sentir os efeitos de suas condutas na economia do país?

 

Presidente Bilionário

Você não concorda que um Presidente da República que faça o Brasil crescer mais de 5% ao ano durante seu mandato deva ficar bilionário? Trata-se do candidato vencedor entre os adultos dos 200 milhões de habitantes. Trabalhou bastante e ajudou a melhorar a vida de todos. Da mesma forma que um empresário ganha o lucro de seu esforço, o Presidente também merece receber parte do ganho de seu trabalho. Honestamente.

O Brasil precisa fazer uma análise sobre o sistema de remuneração de políticos, ministros e diretores de todos os órgãos. Deve-se equiparar os valores com o setor privado em termos de responsabilidade, estresse, intensidade e impacto nos resultados. Metodologia tipo Hay.

O valor da remuneração fixa pode até ficar um pouco abaixo do setor privado, caso a caso, contudo é fundamental criar uma remuneração variável atrelada a geração de valor de seu trabalho: crescimento do país, crescimento do serviço, melhoria de qualidade, redução de custos e outras métricas relevantes.

A fonte de recursos para o pagamento deste bônus deve ser parte do superávit fiscal vindo do crescimento, ou seja, se não crescer não haverá o recurso para pagar. Tem que haver superávit para sobrar recursos para o bônus. Crescimento abaixo de 2% ao ano significa bônus zero e acima de 2% vai aumentando proporcionalmente a este superávit adicional.

Esta remuneração variável tem que tornar estes agentes públicos realmente ricos, sem haver necessidade de pixuleco, fazendo o bem para a maioria da população. Ela diminui significativamente o custo do agente que hoje em dia é enorme com todos estes desvios levantados pela Operação Lava Jato e outros que ainda virão a aparecer.

Como exemplo de custo do agente vamos analisar o Custo Dilma. Se assumirmos um PIB anual de R$6 trilhões, em 2015 perdemos R$180B (-3%). Se tivéssemos crescido 10% seriam mais R$600B. Ou seja, em um ano trata-se de R$780B por não ter um Presidente competente que possa fazer nossa economia crescer 10% ao ano. E a presidente não tem nem a honra para largar o osso e parar a criação de todo este prejuízo para o país. Se tivesse gerado R$600B de PIB não mereceria R$1B de bônus?

Com certeza não merece R$1B para causar R$780B de prejuízo. Que é o que o pixuleco atual faz, remunera a incompetência administrativa e a má fé pública, independente de resultado, ou melhor, até incentiva piorar o resultado (p.ex. juros altos do banco central). Se corrigirmos estes incentivos acredito que os mesmos agentes teriam tido comportamentos diferentes, ou novos agentes ainda mais qualificados seriam atraídos para os cargos.

 

Desafio aos empresários: câmbio a R$8,30 + IGP-DI

Assumi o Ministério do Planejamento e tomei a decisão de colocar o câmbio a R$8,30, sendo o mesmo corrigido pelo IGP-DI mensalmente durante os próximos 4 anos. Tenho alguns problemas: como projetar a taxa de crescimento da economia, a taxa de emprego e as receitas de meu orçamento tributário neste período?

A economia é feita pelos empresários, então envio uma pesquisa para uma amostragem razoável de empresários brasileiros de todos os setores representados proporcionalmente no PIB:

“Com câmbio a R$8,30+IGP-DI você será beneficiado pela substituição de importações e aumento de exportações a partir de 01 de janeiro de 2016, favor enviar dados aproximados para os próximos 4 anos de:

  • Faturamento
  • Emprego
  • Impostos arrecadados

Em dois dias espero receber seus dados. Obg”

De posse destas informações preciso fazer o orçamento do governo para garantir superávit fiscal e investimentos em infra-estrutura social (educação, saúde, moradia e transporte).

10% da arrecadação adicional real (corrigida pela inflação considerando as mesmas taxas de 2015) será destinado a um bônus público para ser distribuído ao presidente, ministros, deputados, senadores e outros cargos relevantes do governo, e 1% a um fundo partidário. Bônus meritocrático atrelado a contribuição de cada agente.

Apostando 50% de seu patrimônio no valor de suas projeções, qual será a taxa de crescimento econômico real do Brasil neste período? -2%, zero, +2%, +4% ou +8%? Ganha quem chegar mais perto.

Deixaria seu emprego para trabalhar na equipe do Ministério do Planejamento com salário atual simbólico + o bônus acima (político e aposta)?

Como distribuiria o superávit adicional entre as prioridades da infra-estrutura social?

Câmbio Estratégico

A taxa de câmbio é a variável macroeconômica individualmente mais importante na definição do crescimento econômico e da melhoria da qualidade de vida da população brasileira. (2011)

Nos últimos anos temos vivenciado uma grande discussão sobre guerra cambial. O tema é complexo, extremamente importante para o nosso futuro, contudo temos tido uma atitude demasiadamente passiva e míope: apagando um foguinho em uma árvore (inflação) enquanto a floresta inteira está pegando fogo (nossa qualidade de vida e emprego no médio e longo prazos).

A taxa de câmbio define o custo médio em US$ de nosso valor agregado (trabalho) e, conseqüentemente, a demanda por este trabalho. Esta demanda é composta pela demanda externa (exportações) e interna (consumo brasileiro).

A taxa de crescimento da economia de um país é determinada diretamente pelo tamanho desta demanda (interna + externa). A economia cresce porque os empresários fazem investimentos para atender esta demanda. Demanda primeiro, investimento e produção depois. Como em todo plano de negócios.

Os setores nos quais trabalharemos também são definidos por esta demanda. Uma taxa de câmbio desvalorizada permite ao empresário brasileiro competir mesmo em setores onde não tenhamos inicialmente uma boa produtividade. Contudo com um custo baixo (definido pelo câmbio) podemos compensar a baixa produtividade e ter uma operação lucrativa que justifique o investimento. A geração do lucro permite investimentos adicionais que vão elevando gradualmente a produtividade.

Desta forma a taxa de câmbio define como evoluiremos a qualidade de vida de nosso país: o quanto melhoraremos por ano (taxa de crescimento) e em que setores trabalharemos.

Nossa taxa de câmbio atual coloca o real no patamar histórico mais alto dos últimos 30 anos. A estabilidade econômica, a maciça entrada de capital para investimento (p.ex. petróleo, infra-estrutura, juros de curto prazo etc,) e a fortaleza de algumas de nossas commodities (p.ex. minério, soja, carne, petróleo) está criando esta situação de equilíbrio de mercado, ou seja, equilíbrio de fluxos financeiros, que torna a nossa indústria pouquíssimo competitiva. Doença holandesa. Estamos em um ponto que nem o etanol da cana está conseguindo competir com o etanol do milho americano, apesar de todas as nossas vantagens climáticas e tecnológicas.

Quando a taxa de câmbio é livre (flutuante), deixada para ser definida pelo mercado, ela encontra um ponto de equilíbrio dependendo do fluxo de capital (exportações, importações, investimentos estrangeiros, taxa de juros etc.). Acreditar que este ponto de equilíbrio representa a melhor taxa para a economia do país é o mesmo que acreditar que devemos deixar o futuro do mundo nas mãos de Deus, sem ter que trabalhar e construir o futuro que queremos.

A maior evidência recente do sucesso de taxa de câmbio bem gerenciada é a economia chinesa: cresce na média 9% ao ano desde 1978 (32 anos). Este milagre chinês não é nenhum milagre, trata-se do resultado de um câmbio equivalente a mais de R$5,00 por dólar. No início a China produzia commodities minerais, bonecas de plástico vagabundas, com esta evolução e aprendizado hoje já produz quase todos os itens tecnológicos que mais consumimos em nosso dia a dia. O chinês que há 30 anos produzia bonecas, hoje tem os filhos produzindo eletrônicos, automóveis, robôs etc. Nós, por outro lado, continuamos um país de commodities (agrícolas, minerais e industriais), e pouquíssimos produtos sofisticados. Nossa indústria que tinha atingido um razoável patamar de emprego até a década de 80, com a valorização da década de 90 começou a reduzir o emprego e sua sofisticação média. Temos nossas exceções (p.ex. Embraer), mas precisamos fazer das exceções a regra. Sem câmbio competitivo isto matematicamente nunca ocorrerá.

Nosso banco central olha para a inflação como a variável mais importante da economia. Inflação é uma mera medida da variação dos preços para equilibrar oferta com demanda. Faz parte do sistema econômico. O desequilíbrio entre demanda e oferta é o que impulsiona o crescimento econômico. Quando a demanda é maior do que a oferta, os preços sobem e atraem investimento para aumentar a oferta. Se os preços não subirem, o interesse em investimento cai. O melhor remédio para combater a inflação no médio e longo prazos é o aumento da competição através de estímulo ao investimento com juros baixos. Nosso governo faz o contrário, combate a inflação desestimulando a demanda, com o aumento dos juros que também fortalece a pior de nossas mazelas: a concentração de renda. Estamos brincando de jogo da velha contra os ases do xadrez. É este o futuro que queremos para os nossos filhos?