A Luz No Fim do Túnel: Moro vs Dória

O DataFolha, do Jornal a Serviço do Brasil, publicou hoje uma pesquisa brilhante que demonstra uma luz no fim do túnel para milhões de brasileiros: 85% da população quer eleições diretas imediatamente e rejeitam o atual governo. Considerando a exposição dos candidatos, contexto nacional e a evolução nas intenções de votos, o grande debate será entre Moro e Dória.

Depurando os candidatos temos:

  • Criminosos que terão seus direitos restringidos em futuro próximo (Pixuleco, Aécio e Cia. Ltda.),
  • Auto-destrutivos que ao começarem a falar e participarem de debates deixarão claro que não possuem conteúdo algum a oferecer (Marina, Bolsonaro, Ciro e Joaquim Barbosa),

Sobrando apenas duas grandes lideranças nacionais: Moro e Dória.

Moro com a coragem e determinação que enfrenta os piores elementos da sociedade brasileira e mostra o caminho da correção. Inteligente, determinado e corajoso tem todos os elementos necessários para ser o Grande Líder. Pode faltar a experiência de gestão, mas entra aí o processo de debates para analisarmos se ele consegue aglutinar as capacitações necessárias para o mandato.

Dória com sua experiência de gestão, determinação e esforço sobre-humano tem demonstrado boa gestão no complexo município de São Paulo com uma administração bastante inclusiva socialmente e envolvente no nível empresarial. Ainda pouco conhecido a nível nacional, também o era em SP e conquistou a periferia em poucos meses.

Dois excelentes candidatos, que torna necessário um bom processo de debates para apurarmos quem tem o melhor perfil neste momento para assumir o posto.

Pode parecer bastante otimismo, contudo se acreditarmos em processo democrático, no qual há o instrumento do plebiscito, e a real intenção do povo brasileiro, todas as energias deverão ser naturalmente direcionadas neste sentido.

Vamos torcer para que ganhe o mais capacitado.

Brasil: do Interesse Próprio para o Interesse Coletivo

Considero importante nos debates sobre macro-economia separarmos a melhor solução técnica (segundo o conhecimento já desenvolvido pela Humanidade) da questão política, ou seja, do ambiente institucional necessário para implementá-la.

Em um dos eventos da EESP tive a oportunidade de ouvir Oscar Vieira, professor da FGV-Direito, comparar a Constituição dos EUA com a do Brasil. Nos EUA, com visão coletiva, foi formado um documento composto pela 2a melhor opção de todo mundo. No Brasil, com visão de interesses próprios, fizemos uma acomodação da 1a melhor opção dos que estavam presentes.

Como foi mencionado na Natureza da Vida Humana, o interesse próprio é uma importante característica do homo sapiens que nos originou. Contudo foram os Iluminados, com a capacidade de colocar o coletivo acima do individual, que nos fizeram avançar como Humanidade.

No Brasil temos alguns grupos que defendem seus interesses a qualquer custo. Entre eles o Sistema Financeiro Rentista (SFR/Febraban), os grupos religiosos, a agropecuária, os funcionários públicos, os industriais, os comerciantes e os empreiteiros.

O SFR nos colocou nesta depressão para garantir sua lucratividade, inclusive na crise. Juros contracionistas apesar do ambiente recessivo através de atuação no Copom, BC do Mercado, e na legislação com meta de inflação, tripé macro-econômico e outras determinações ineptas para o coletivo.

Os grupos religiosos não pagam tributos apesar de liderarem um dos negócios mais lucrativos do planeta. Não provêem transparência de seus ganhos. E assumem que os recursos dos tributos não são tão bem alocados pelo governo socialmente como o são por eles. Sem transparência. E ainda querem financiamento pelo BNDES para os templos…

A agropecuária e os minerais não pagam tributos na exportação de seus produtos de baixo valor agregado e de empregos sub-qualificados, valorizando assim a taxa cambial com o efeito de doença holandesa que prejudica as exportações industriais de maior valor agregado. E ainda reclamam da infra-estrutura para o escoamento da produção, apesar de não contribuírem com a arrecadação dos recursos e os investimentos.

Os funcionários públicos ficam com remuneração e pensão em muitos casos acima do setor privado. Os políticos fazem leis que garantam a preservação da impunidade.

Os industrias individualmente buscam reduzir seus custos com câmbio valorizado e redução de tributos. Não enxergam o efeito na demanda agregada e a competição das importações nos vários outros elos da cadeia produtiva.

Em resumo não há um senso de Planejamento com eficiência de Pareto que garanta a maximização da riqueza coletiva.

Apesar da solução de nosso problema de geração de riqueza (e emprego) ser simples – pois basta corrigir o tripé de câmbio, juro e poupança fiscal – não conseguimos caminhar nesta direção porque não é de interesse de alguns destes grupos.

É importante entendermos a composição do campo de batalha para visualizarmos uma solução e enfrentarmos este imbróglio.

Com certeza a depressão econômica é ruim para todos os grupos de interesse, contudo este é o resultado que estamos obtendo ao ter cada grupo defendendo seu principal interesse sem respeitar o interesse coletivo.

Ordem e Progresso: Plebiscito

A situação do Brasil de hoje parece aquela após o 7×1 para a Alemanha em 2014. Crise total de identidade. Nosso símbolo mais forte que é a camisa da seleção, em frangalhos. Humilhação total. Hoje a seleção está provavelmente em seu mais alto patamar histórico. Batendo recorde de tempo em classificação para a próxima Copa. Conseguiu virar o jogo e a nossa auto-estima.

A situação da política e da economia está em frangalhos. A Justiça que nunca funcionou neste país acordou através do Sérgio Moro, MPF, PF e vários membros do STF. É a única instituição dos três poderes com alguma credibilidade junto à população. Contudo mantém sua lentidão devido à estrutura de proteção da impunidade que influenciou sua estruturação. Enquanto o padrão de vida da população vem degradando rapidamente com o desemprego e a violência.

Os poderes Executivo e o Congresso estão totalmente controlados por brasileiros ilícitos. Situação óbvia e escandalosa. Gente legislando em interesse próprio, distorcendo projeto de medidas anti-corrupção, tentando anistia de ilicitudes, presidente mordendo o osso do poder sem a menor vergonha, questionando nossas instituições e as leis, usando direito de defesa de gente honesta, como se honesto fosse. Uma total falta de Ordem.

Em termos de Progresso então a coisa está mais feia. Perdas de R$3 trilhões nos últimos três anos com política macro-econômica totalmente inepta, defendendo os interesses do setor financeiro rentista, desrespeitando claramente as melhores práticas internacionais de Keynes, Smith e Friedman. BC comportando-se claramente como um órgão dirigido pelos interesses do setor financeiro, defendendo manutenção de juro alto, ao invés de mínimo. Tem o juro como custo e o usa no sentido oposto ao interesse da população. Total falta de responsabilidade fiduciária dos cargos públicos.

Estamos sem Ordem e sem Progresso. Este elevado nível de rejeição dos poderes executivo e legislativo chama o papel do Plebiscito. Deveríamos votar se queremos destituir totalmente 1) Presidente e Congresso; 2) Governadores e Assembléias; 3) Prefeitos e Vereadores. E convocar novas eleições sem a possibilidade de uso de poder econômico para influenciar o voto. A democracia exige este direito. A Lava Jato nos propiciou este contexto e oportunidade. As Forças Armadas poderiam nos ajudar nesta transição para fortalecimento da democracia. Um RESET para nos liberar do TILT.

Câmbio Flutuante, Agronegócio, Doença Holandesa e o país das Empregadas Domésticas

O objetivo da Economia é gerar riqueza para o país. Toda regra macro-econômica deve possuir uma lógica que garanta o aumento de riqueza. No Brasil temos uma série de tabus que atrapalham este processo. O tripé macro-econômico estabelecido é mais um problema. Foi implementado por um setor econômico querendo defender seus interesses, e não a criação de riqueza no Brasil. Fez isto colocando meta de inflação (liberando o uso do juro) e superávit primário, ao invés de nominal, protegendo o uso do juro. Este tema deu nas consequências do post anterior: R$3 trilhões de perdas 2014-2016.

O câmbio flutuante vem de uma idéia de liberalismo, laissez-faire de conveniência, que é muito boa para combater moeda artificialmente valorizada, contudo é péssima para combater moeda naturalmente valorizada, que destrói os incentivos para a aceleração da criação de riqueza e industrialização do país. Doença Holandesa. Em 1977 The Economist criou este termo ao analisar a situação da Holanda, que vinha perdendo empregos em manufatura por causa da descoberta e uso de grandes reservas de gás natural a partir de 1959. A exportação destes recursos naturais de baixo nível de emprego valorizou a moeda a ponto de inviabilizar setores industriais que pagavam salários bem melhores. A inteligência e bom senso holandês neutralizou este fenômeno com ajustes em sua macro-economia. Países menos esclarecidos, que nunca entraram em processo de industrialização, ficaram marcadamente atrasados em economia, ao serem cegamente liberais no uso de suas “riquezas” naturais: Arábia Saudita e países do Oriente Médio, Venezuela, Portugal e agora Brasil.

E o caso do Brasil sempre dá para piorar com alguma idéia muito criativa como o caso da Lei Kandir, que dá isenção tributária para exportação de commodities agrícolas e minerais.

No Brasil a exportação de commodities agrícolas e minerais pagam poucos impostos (basicamente IR/CSLL), usam excessivamente nossa infra-estrutura para transporte, geram poucos empregos, a maioria de baixo valor agregado com salário médio abaixo da média nacional, concentra renda nas mãos dos proprietários de terras ou jazidas, ficam reclamando e pedindo mais recursos para a infra-estrutura E valorizam nossa moeda a ponto de não deixar desenvolver ou destruir o setor industrial que paga salários bem acima da média nacional, gera mais empregos e paga mais impostos. Desde a Lei Kandir nossa manufatura caiu de 25% do PIB para 9%.

Somos o país das empregadas domésticas ao ter salário médio de R$1,8K/mês. Muito abaixo da média da indústria. E os deseconomistas deste país chamam o industrial brasileiro de improdutivo, apesar de gerarem empregos melhores para as empregadas domésticas.

Este é o Brasil que o câmbio flutuante está produzindo. Uma simples regra liberal, sem os devidos ajustes do bom senso de ter que gerar riqueza, cegamente destruindo um país.

Para solucionar isto temos que impor altos tributos na exportação de commodities agrícolas e minerais (40%) e colocar o câmbio em nível de competitividade econômica internacional calculado em R$8,8. O agronegócio pedindo recursos para a infra-estrutura, sem recolher tributos, parece os padres que não pagam impostos pedindo financiamento de BNDES para construir os templos. Direitos sem responsabilidades. Este Brasil não funciona. Temos que trabalhar com a Verdade.

 

R$3 Trilhões de Perdas Econômicas

copom-r3-trilho%cc%83es9 brasileiros definem uma política macro-econômica que causou R$3 trilhões de perdas ao Brasil desde 2014, considerando perdas de PIB e aumento de endividamento público, levando em conta nosso histórico vôo de galinha de 2,6% ao ano. Em 2013 estávamos com as contas públicas equilibradas com um déficit nominal de 3% e crescimento de 3%. Subiram o juro de 7,25% para 14,25% reprimindo assim a arrecadação tributária e aumentando as despesas financeiras levando o déficit nominal para 10% e afundando o PIB para -3,8%. A duplicação do juro causou 6,8% de reversão do PIB em 2 anos. Mantiveram este déficit nominal com o juro alto e perdemos mais 3,5% de PIB em 2016 e caminhamos para perder mais 3% em 2017.

Estes 9 controlam um orçamento de R$400-500B/ano em despesas financeiras sem nenhuma governança razoável e são todos da comunidade financeira, não produtiva e geradora de poucos empregos. Comunidade que tem o juro como receita de suas operações. Situação de claro conflito de interesse em qualquer análise de boas práticas de governança corporativa.

Além das perdas econômicas, levaram nosso desemprego de 6% para 12,6%. 30 milhões de brasileiros estão desempregados (12,9M), sub-empregados (10,1M) ou desistiram de procurar emprego (7M), afetando mais de 60 milhões da população. O salário médio de quem está empregado é de R$1,8K/mês, fazendo com que na média o Brasil seja um país de empregadas domésticas.

Neste contexto já miserável, a violência vem aumentando drasticamente nas ruas, nos presídios, em greve de Policiais Militares com a falta de recursos públicos por ter comprometido o orçamento de todos os Estados brasileiros. Brasileiros estão morrendo sem necessidade.

Esta política contracionista de base monetária gerou a maior destruição de riqueza voluntária da humanidade, em total desrespeito às melhores práticas internacionais da macroeconomia. Friedman, pai do monetarismo, recomendaria uma política de expansionismo monetário em situações recessivas, o que seria juro moderado por volta de 5%. O Copom manteve o juro nesta semana em 12,25% e aparecem sorrindo na foto.

Ao invés de perdermos tempo com questões de corrupção, mágoas partidárias contra o PT, birutisses da Dilma, delação da Odebrecht, PECs etc. deveríamos concentrar nossa energia em corrigir este grupo, mudar a missão do Bacen para maximização de emprego a juro moderado (como o FED) e trazer ciência macro-econômica para a mesa com respeito ao conhecimento deixado por Keynes, Friedman e Smith.

O que você pode fazer pelo Brasil III – Contra a Seita Liberal

2017 pode ser um ano espetacular, vai ajudar? A perspectiva mais realista hoje é de -3% de PIB, desemprego subindo para 14% e violência ascendente. Contudo do lado Institucional temos a Cármen no STF, Fachin na Lava Jato, Moro e outros juízes federais firmes, Dallagnol com o garantismo integral na PGR, Odebrecht entregando todo o esquema em todos os setores onde se envolveu. Impunidade se esfacelando, institucionalmente.

Eu não acreditava conseguir ver este tipo de cenário em vida. Políticos e empresários corruptos na cadeia. Este processo está muito bem encaminhado com excelentes lideranças. O Executivo deve cair nos próximos meses com a cassação da chapa e os 70% corruptos no Congresso vão encontrar seus destinos mais cedo ou mais tarde.

Continuamos com um outro problema, mais relevante para nosso padrão de vida, a destruição econômica que estamos sofrendo. R$3 trilhões desde 2014 em perdas de PIB e endividamento do governo. A causa deste estrago não tem nada a ver com partido político. É gestão macro-econômica. É uso de falsidade ideológica e má fé na interpretação de teorias econômicas. Trata-se de uma “Seita Liberal” envolvendo Copom, Bacen, economistas-chefe das principais instituições financeiras do Brasil, ex-presidentes e ex-diretores do Bacen, professores e colunistas econômicos dos principais jornais brasileiros.

Todos menosprezando os ensinamentos dos principais gênios em Economia da humanidade (Smith, Keynes e Friedman) para manipular o mercado brasileiro a favor do rentismo do setor financeiro, perpetuando nossa vergonhosa concentração de renda. O Liberalismo na gestão econômica é um conceito inteligente (laissez-faire), assim como a maximização da demanda agregada de Keynes, e o monetarismo de Friedman, contudo tem que ser usado sempre com o objetivo de maximizar a riqueza do país como um todo, não só de certos grupos de interesse.

Aqui entra seu livre-arbítrio. Todo mundo errado e só o bloguista sabe o caminho das pedras? Infelizmente parece a situação do Copérnico com o heliocentrismo no Renascimento. É por isso que denominei de Seita. Fé cega. Só que eu não descobri o caminho das pedras. Estudei o que a humanidade desenvolveu e só estou repassando ao Brasileiro. Estude, use seu livre arbítrio e reflita. Estamos perdendo R$5B por dia útil e nossas vidas não param de piorar. O problema não é corrupção, é macro-econômico.

  1. Friedman, pai do monetarismo, defende política expansionista de base monetária em situação recessiva com ociosidade de mão-de-obra. Juros moderados, 0-1% real, selic de 5%. Estamos a 13%, 9% de juro real. Reprimindo arrecadação fiscal, aumentando despesas financeiras e criando déficit nominal de 8-10% do PIB que derruba o PIB em 3 a 3,8% ao ano. Maximização de emprego e moderação de juros estão na missão do FED. A Seita Liberal colocou na missão do Bacen a minimização de inflação a qualquer custo. Não tem foco em geração de riqueza (missão da Economia).
  2. Câmbio flutuante em país rico em commodities agrícolas e minerais sobrevaloriza a moeda criando o fenômeno da doença holandesa que destrói o setor industrial e reprime a demanda agregada. Maximização da demanda agregada é a única forma para combater o desemprego conforme estudado por Keynes. Câmbio flutuante não garante esta maximização. Esta situação é ainda mais penosa quando acompanhada de déficit nominal de 10% que elimina a capacidade de investimento do governo, reprimindo ainda mais a demanda agregada.
  3. Uso de juros para combater a inflação vai contra o princípio de laissez-faire de Smith. Ele interfere na formação de preços da economia que garante o bom equilíbrio entre demanda e oferta. Além disto o déficit nominal criado pelos juros gera forte pressões inflacionárias desnecessárias, principalmente se o governo optar por imprimir dinheiro para cobri-lo.

Estou aqui iluminando o leitor. Reflita. Com certeza sua vida está sendo muito prejudicada por tudo isto e, consequentemente, toda a nossa comunidade. Não foi inércia que ajudou a resolução de nossos problemas de corrupção, não será inércia que nos ajudará na questão macro-econômica. Desafios pela frente:

  1. Derrubar a chapa para forçar mudança na gestão macro-econômica; nova eleição democrática forçará uma agenda que priorize o emprego
  2. Expor as irregularidades de governança e má fé do Copom e do Bacen
  3. Enfrentar a feitiçaria da Seita Liberal nos debates e nas mídias. O objetivo de toda ação macro-econômica é aumentar a riqueza de nosso país e melhorar a distribuição de renda. Agora, não daqui a 10 anos.

O conceito republicano que gera desenvolvimento começou no Brasil só em 1889 enquanto nos EUA foi em 1776 com a Independência. Perdemos a onda da industrialização mundial ao ficar junto a Portugal que por privilegiar a agricultura tornou-se o país mais atrasado da Europa Ocidental. Tivemos alguns grandes líderes como os Inconfidentes, Dom Pedro II, Getúlio Vargas, JK, Castello Branco e teríamos Tancredo se não tivesse falecido. Entramos em um hiato. Ordem e Progresso é um tema positivista que veio junto com a República. Já está na hora de retomarmos nosso caminho.

Dêem uma olhada: Macro-economia para Crescimento Inclusivo.

Código de Honra de Economistas Brasileiros

Existe algum? A “saúde” de um país é claramente definida por sua política macro-econômica. Ela viabiliza a geração de riqueza que deve ser alocada através das políticas de governo de igualdade de oportunidade e distribuição de renda para termos uma sociedade mais equalitária. A grande questão da macro-economia é como gerenciar as três variáveis-chave que são câmbio, juros e déficit nominal (poupança fiscal) para maximizar a geração de riqueza definida pela renda média dos brasileiros (PIB per capita). Estas variáveis determinam a demanda agregada de Keynes e o nível de empregos no Brasil.

O objetivo não é gerenciar inflação, diminuir burocracia, acabar com a corrupção, melhorar a infra-estrutura. Não. O objetivo da macro-economia é maximizar a geração de riqueza.

Má gestão macro-econômica leva a desemprego, concentração de renda, miséria, disseminação de doenças, violência e mortes (vítimas de violência ou da falta de recursos para a saúde pública). Tudo em escala nacional.

Um economista responsável, com consciência, deve estar completamente estressado com nossa situação atual de 12,5 milhões de desempregados, 10 milhões de sub-empregados, 7,5 milhões no desalento (desistiram de procurar empregos), crises nos orçamentos estaduais, violência alarmante nos presídios, falta de recursos nos hospitais e na infra-estrutura preventiva de saúde. Desindustrialização deixando situação na qual o salário médio dos brasileiros empregados é de R$1,8K/mês, correspondente ao nível de empregada doméstica em São Paulo. Tudo isto causado voluntariamente pela atual política macro-econômica. E o BC, que gerencia todas as variáveis-chave, vê tudo isto como externalidades. Colocam a culpa na gestão Dilma, nos empresários que não investem, no desemprego que não ajuda no consumo, no Trump, nos terroristas do Oriente Médio…

Keynes sentia este estresse em 1915-1920. Abandonou o cargo de representante do governo inglês na negociação de rendição da Alemanha, quando viu um acordo muito ruim para o povo alemão. Teve vários ataques cardíacos e não dormia bem preocupado com o desemprego gerado por políticas liberais irresponsáveis. Precisou escrever Teoria Geral do EMPREGO, do Juro e da Moeda (1936) para ponderar o pensamento liberal. Stiglitz, como economista-chefe do Banco Mundial, reconheceu publicamente as péssimas recomendações do Consenso de Washington para países sub-desenvolvidos e foi demitido no dia seguinte. Honra. Respeito ao Código em primeiro lugar. Da mesma forma que um médico sofre para salvar seus pacientes. Um engenheiro faz inúmeros cálculos e ensaios para garantir segurança em suas estruturas. O economista tem que conhecer as consequências sociais de seus atos e suas recomendações.

O tempo perdido com brasileiros desempregados é riqueza econômica não construída para o país. Desperdício irresponsável em momento que já estão faltando vários recursos.

Nossos economistas desrespeitam abertamente os ensinamentos de Friedman (política expansionista de base monetária), Keynes (maximização de demanda agregada) e Smith (laissez-faire nos preços de mercado) nesta gestão macro-econômica. Escrevem inúmeros artigos nos principais jornais defendendo suas teses. Fazem lobby para influenciar a missão do Banco Central e a nossa Constituição protegendo setores específicos em forte detrimento da sociedade como um todo.

A missão do BC deve ser minimizar inflação (que não possui nenhuma correlação com geração de riqueza) ou maximizar emprego a juros moderados como o FED?

Aonde está a Honra dos economistas brasileiros?