Desafio aos empresários: câmbio a R$8,30 + IGP-DI

Assumi o Ministério do Planejamento e tomei a decisão de colocar o câmbio a R$8,30, sendo o mesmo corrigido pelo IGP-DI mensalmente durante os próximos 4 anos. Tenho alguns problemas: como projetar a taxa de crescimento da economia, a taxa de emprego e as receitas de meu orçamento tributário neste período?

A economia é feita pelos empresários, então envio uma pesquisa para uma amostragem razoável de empresários brasileiros de todos os setores representados proporcionalmente no PIB:

“Com câmbio a R$8,30+IGP-DI você será beneficiado pela substituição de importações e aumento de exportações a partir de 01 de janeiro de 2016, favor enviar dados aproximados para os próximos 4 anos de:

  • Faturamento
  • Emprego
  • Impostos arrecadados

Em dois dias espero receber seus dados. Obg”

De posse destas informações preciso fazer o orçamento do governo para garantir superávit fiscal e investimentos em infra-estrutura social (educação, saúde, moradia e transporte).

10% da arrecadação adicional real (corrigida pela inflação considerando as mesmas taxas de 2015) será destinado a um bônus público para ser distribuído ao presidente, ministros, deputados, senadores e outros cargos relevantes do governo, e 1% a um fundo partidário. Bônus meritocrático atrelado a contribuição de cada agente.

Apostando 50% de seu patrimônio no valor de suas projeções, qual será a taxa de crescimento econômico real do Brasil neste período? -2%, zero, +2%, +4% ou +8%? Ganha quem chegar mais perto.

Deixaria seu emprego para trabalhar na equipe do Ministério do Planejamento com salário atual simbólico + o bônus acima (político e aposta)?

Como distribuiria o superávit adicional entre as prioridades da infra-estrutura social?

Câmbio Estratégico

A taxa de câmbio é a variável macroeconômica individualmente mais importante na definição do crescimento econômico e da melhoria da qualidade de vida da população brasileira. (2011)

Nos últimos anos temos vivenciado uma grande discussão sobre guerra cambial. O tema é complexo, extremamente importante para o nosso futuro, contudo temos tido uma atitude demasiadamente passiva e míope: apagando um foguinho em uma árvore (inflação) enquanto a floresta inteira está pegando fogo (nossa qualidade de vida e emprego no médio e longo prazos).

A taxa de câmbio define o custo médio em US$ de nosso valor agregado (trabalho) e, conseqüentemente, a demanda por este trabalho. Esta demanda é composta pela demanda externa (exportações) e interna (consumo brasileiro).

A taxa de crescimento da economia de um país é determinada diretamente pelo tamanho desta demanda (interna + externa). A economia cresce porque os empresários fazem investimentos para atender esta demanda. Demanda primeiro, investimento e produção depois. Como em todo plano de negócios.

Os setores nos quais trabalharemos também são definidos por esta demanda. Uma taxa de câmbio desvalorizada permite ao empresário brasileiro competir mesmo em setores onde não tenhamos inicialmente uma boa produtividade. Contudo com um custo baixo (definido pelo câmbio) podemos compensar a baixa produtividade e ter uma operação lucrativa que justifique o investimento. A geração do lucro permite investimentos adicionais que vão elevando gradualmente a produtividade.

Desta forma a taxa de câmbio define como evoluiremos a qualidade de vida de nosso país: o quanto melhoraremos por ano (taxa de crescimento) e em que setores trabalharemos.

Nossa taxa de câmbio atual coloca o real no patamar histórico mais alto dos últimos 30 anos. A estabilidade econômica, a maciça entrada de capital para investimento (p.ex. petróleo, infra-estrutura, juros de curto prazo etc,) e a fortaleza de algumas de nossas commodities (p.ex. minério, soja, carne, petróleo) está criando esta situação de equilíbrio de mercado, ou seja, equilíbrio de fluxos financeiros, que torna a nossa indústria pouquíssimo competitiva. Doença holandesa. Estamos em um ponto que nem o etanol da cana está conseguindo competir com o etanol do milho americano, apesar de todas as nossas vantagens climáticas e tecnológicas.

Quando a taxa de câmbio é livre (flutuante), deixada para ser definida pelo mercado, ela encontra um ponto de equilíbrio dependendo do fluxo de capital (exportações, importações, investimentos estrangeiros, taxa de juros etc.). Acreditar que este ponto de equilíbrio representa a melhor taxa para a economia do país é o mesmo que acreditar que devemos deixar o futuro do mundo nas mãos de Deus, sem ter que trabalhar e construir o futuro que queremos.

A maior evidência recente do sucesso de taxa de câmbio bem gerenciada é a economia chinesa: cresce na média 9% ao ano desde 1978 (32 anos). Este milagre chinês não é nenhum milagre, trata-se do resultado de um câmbio equivalente a mais de R$5,00 por dólar. No início a China produzia commodities minerais, bonecas de plástico vagabundas, com esta evolução e aprendizado hoje já produz quase todos os itens tecnológicos que mais consumimos em nosso dia a dia. O chinês que há 30 anos produzia bonecas, hoje tem os filhos produzindo eletrônicos, automóveis, robôs etc. Nós, por outro lado, continuamos um país de commodities (agrícolas, minerais e industriais), e pouquíssimos produtos sofisticados. Nossa indústria que tinha atingido um razoável patamar de emprego até a década de 80, com a valorização da década de 90 começou a reduzir o emprego e sua sofisticação média. Temos nossas exceções (p.ex. Embraer), mas precisamos fazer das exceções a regra. Sem câmbio competitivo isto matematicamente nunca ocorrerá.

Nosso banco central olha para a inflação como a variável mais importante da economia. Inflação é uma mera medida da variação dos preços para equilibrar oferta com demanda. Faz parte do sistema econômico. O desequilíbrio entre demanda e oferta é o que impulsiona o crescimento econômico. Quando a demanda é maior do que a oferta, os preços sobem e atraem investimento para aumentar a oferta. Se os preços não subirem, o interesse em investimento cai. O melhor remédio para combater a inflação no médio e longo prazos é o aumento da competição através de estímulo ao investimento com juros baixos. Nosso governo faz o contrário, combate a inflação desestimulando a demanda, com o aumento dos juros que também fortalece a pior de nossas mazelas: a concentração de renda. Estamos brincando de jogo da velha contra os ases do xadrez. É este o futuro que queremos para os nossos filhos?

O Egoísmo de Dilma e A Falha da Democracia

Dilma é a chefa, mas não é nossa líder.

Segundo Datafolha de março, 62% dos brasileiros com mais de 16 anos acham seu governo ruim ou péssimo.

Se ponderarmos os votos nas eleições, considerando anos de educação de cada eleitor, ela teve menos de 40% dos votos. Considerando os votos dos empresários imagino que menos de 20%. Em resumo, o conhecimento acumulado dos brasileiros e os geradores de emprego não a reconhecem como líder ou mesmo a melhor alternativa para nosso Brasil no momento. Falha da democracia não meritocrática.

Neste contexto, por que a Dilma insiste em ficar na posição de Presidente?

Acredito que seu governo teve um grande mérito de trabalhar para eliminar a miséria entre os brasileiros. Nossa miséria e concentração de renda são realmente vergonhas dentro da comunidade internacional. Como brasileiros não tratamos destas questões da maneira mais adequada, não temos cidadania forte. A intenção foi boa e definitivamente colocou estes temas na agenda brasileira. Agradeço.

Contudo claramente não houve a competência gerencial para enfrentar estes desafios de maneira responsável. Criou-se uma bagunça financeira (déficit fiscal) e institucional (Lava Jato) que colocaram o Brasil em posição de extrema vulnerabilidade e falta de credibilidade na comunidade internacional.

Por que insistir em ocupar a cadeira, prejudicando 202 milhões?

Ela desenvolveu câncer antes de assumir a presidência. A maioria dos brasileiros a apoiaram e, de certa forma, lhe transmitiram energia positiva no combate a este desafio pessoal. Agora ela está no sentido oposto, prejudicando milhões, só está recebendo energia negativa. Por que insistir nesta trilha?

Com o fortalecimento do Ministério Público e do nosso Poder Judiciário, a Operação Lava Jato vai a todo vapor fazendo limpeza, melhorando nossas instituições e fortalecendo nossa governança. O PT vai entrar em falência quando aparecer a conta da Lava Jato (sem direito a recuperação judicial) e desestabilizar ainda mais nosso sistema político. Por que esperar a catástrofe total?

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Lula e a Felicidade de deus (2006)

O Brasil neste momento encontra-se dividido (12/2006). De um lado a chamada opinião pública, uma parte da população brasileira capaz de ouvir, ler e entender o que está acontecendo. Do outro lado uma grande parte dos brasileiros que possuem analfabetismo funcional, que só entendem e confiam naquilo que entra na boca ou no bolso. O segundo grupo definiu a última eleição de tal forma que ficou relevado a segundo plano questões de ética política. Contudo ambos os grupos fazem parte do mesmo navio: O Democracia Brasil.

No grupo da opinião pública está uma classe média enfrentando crise de renda, desemprego, desilusão política, divórcio, violência, insegurança, desalento. É triste fazer parte desta classe média. Vendo o mundo inteiro andar bem, crescendo, melhorando de vida, e o Brasileiro, caindo. Uma vergonha. É o efeito do baixo crescimento econômico, de uma política cambial equivocada (o câmbio chinês/asiático é superior a R$5,47). A questão dos juros altos é um mero detalhe em tudo isto, quando comparado com o tamanho do estrago do câmbio no crescimento da economia como um todo: agronegócio, exportações, importações etc. Contudo é exatamente o mesmo erro da política dos juros que impede que os economistas alterem a política cambial: o argumento do “medo” da inflação. Este tal de “medo da inflação” está deixando a economia morna, em banho maria, e causando a crise econômico-social da classe média ao segurar o câmbio sobrevalorizado.

Este país chegou a colocar 200.000 pessoas na Avenida Paulista para apoiar a primeira eleição de Lula em 2002. Em 2006 parece que não chegou a 20.000. Reeleito sem entusiasmo. Para um político que, considerando a hierarquia de necessidades de Maslow, deveria estar no estágio de auto-realização, é um desempenho bem aquém do desejado. O principal ativo de um líder político é a energia positiva que emana do povo ao admirá-lo por sentir que está sendo ajudado, por vê-lo como um exemplo. Este tipo de emoção tira lágrimas de um líder, e um compromisso de fazer cada vez melhor, dar o melhor de si, deixar um legado. Esta é uma felicidade genuína que o dinheiro não compra. Pode escolher qualquer líder empresarial brasileiro. Nenhum. Digo, nenhum consegue atingir este nível de felicidade: admiração de 185 milhões de pessoas. Estilo Bill Clinton. Sucesso empresarial e dinheiro não compram este tipo de poder. Desempenho político sim. É a Felicidade de deus.

Entre os poucos brasileiros com acesso a este tipo de felicidade, Lula está na frente da fila. Por que deixar a oportunidade passar? Será que ele esteve realmente envolvido com toda a roubalheira e falcatrua de Palocci, Dirceu e Associados? A resposta simples é que sim. A resposta complexa é talvez não. Simplesmente deixou acontecer. Sempre foi assim. É possível entender as ambições deste primeiro escalão sem patrimônio político do nível do Lula. Para alguém com patrimônio político e acesso a oportunidade de Felicidade de deus, seria dar um tiro no próprio pé. Mais lógico imaginar que “bobeou”.

Bobeou na primeira tentativa. Agora só tem mais esta segunda chance nos próximos 4 anos.

A estratégia econômica do primeiro governo venceu eleição mas não atingiu nem de perto a Felicidade de deus, que colocaria mais de 200.000 na Avenida Paulista ou em qualquer outro canto do Brasil. Como atingí-la? A estratégia é simples: basta melhorar o padrão de qualidade de vida da vasta maioria dos brasileiros, ou seja, fazer o país crescer o mais rapidamente possível a qualquer custo (inflação é um deles). Apesar da inflação não ser um problema tão crítico quanto os economistas-banqueiros afirmam (grupo dos juros altos), visto que é uma simples medida de aumento de preços. Para um país que não ligou para a ética em uma eleição, com certeza nunca ligará para um tema menos relevante como inflação, desde que o poder de compra melhore.

Não há como atingir crescimento econômico rápido sem ter inflação. A questão é econômico-matemática: o aumento de demanda que gera crescimento é, por definição, um desequilíbrio entre demanda e oferta, que na economia de mercado reflete em inflação. Não há como atingir Felicidade de deus sem crescimento econômico com inflação. Qual será a decisão de Lula?